Jean Marc Von der Weid, exilado na Suíça, relatou suas experiências traumáticas durante a ditadura militar no Brasil. Ele foi preso de agosto de 1969 a janeiro de 1971 e submetido a sessões de tortura durante esse período. Em uma entrevista para a RTS, Jean Marc compartilhou: “Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar.” Ele detalhou algumas das brutalidades que sofreu, como:
- Pau de arara, onde era suspenso de cabeça para baixo
- Choques elétricos
- Tortura hidráulica
- Queimaduras com cigarros
Libertado em troca do embaixador suíço, Jean Marc se tornou um defensor dos direitos humanos e começou a divulgar as violações no Brasil. Suas palestras e eventos em solo europeu incomodaram o governo suíço, que mantém laços econômicos com o regime militar brasileiro.
Segundo a pesquisadora Gaelle Shclier, a polícia suíça monitorou essas atividades, com relatórios evidenciando a vigilância sobre os ativistas brasileiros. Um documento de março de 1971 revela que as autoridades estavam cientes das torturas no Brasil, incluindo o uso de crianças como alvo. “O relatório confirma que o governo suíço sabia das violações,” diz Gaelle.
Outro documento aponta que o cônsul suíço em Brasília reconhecia os crimes cometidos pelo Estado brasileiro, e alertava sobre a brutalidade das forças de segurança. Apesar das evidências, a Suíça continuou suas boas relações com o regime.
Jean Marc, com dupla nacionalidade, evitou a expulsão, diferente de outros exilados como Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor, que foram barrados na Suíça e tiveram seus vistos revogados. As relações comerciais foram priorizadas, mesmo em detrimento dos direitos humanos.
O governo brasileiro celebrou essas expulsões, como evidenciado em um informe de 1970, destacando a firmeza do governo suíço frente aos “terroristas.” A Suíça, ao invés de romper laços com a ditadura, permaneceu alinhada e atuou contra os ativistas.
A reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos, que investiga a ditadura militar brasileira e suas repercussões.
























