Sábado, 13 de junho de 2026

Prazo para promulgação da lei que extingue referendo sobre privatização da Copasa se inicia

Prazo para promulgação da lei que extingue referendo sobre privatização da Copasa se inicia
Foto: Alexandre Netto/ALMG

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) anunciou, nesta terça-feira (18), a abertura do prazo de cinco dias úteis para a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, que busca eliminar a exigência de referendo popular para a privatização ou federalização da Copasa. Essa contagem começou após a aprovação da redação final da matéria na Reunião Ordinária da tarde deste dia.

A PEC 24/23 é vista como um passo crucial no processo que pode culminar na venda da Copasa. Simultaneamente, a Casa está analisando o Projeto de Lei (PL) 4.380/25, enviado pelo governador Romeu Zema, que permite ao Estado implementar medidas para a desestatização da empresa.

Audiência pública expõe críticas e preocupações

Antes da aprovação da PEC, parlamentares opositores e representantes de entidades ligadas ao saneamento expressaram severas críticas à proposta durante uma audiência pública da Comissão de Administração Pública. Entre as preocupações, constaram:

  • Possíveis aumentos nas tarifas.
  • Queda na qualidade dos serviços prestados pela estatal, responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto em diversas regiões do Estado.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) considerou o PL 4.380/25 “desnecessário” e criticou a ausência de informações técnicas que fundamentem a privatização. Sua colega, deputada Bella Gonçalves (PSOL), manifestou receios sobre a continuidade dos contratos entre a Copasa e os municípios. Ela destacou que o acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estipula a manutenção do controle estatal como condição para a prestação dos serviços.

Sindicatos alertam para demissões e aumento de tarifas

Representantes do setor também se manifestaram contra a privatização. O presidente do Sindágua, Eduardo Pereira de Oliveira, apontou que a falta de coleta e tratamento de esgoto se concentra nos municípios que não contratam a Copasa, sugerindo que a empresa poderia ser fundamental para atingir as metas do Marco Legal do Saneamento.

O coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, Amauri Pollachi, alertou sobre o risco de oligopolização do setor, citando casos como o de São Paulo, onde a privatização resultou em tarifas mais altas e redução de funcionários após cortes.

Governo defende privatização como solução

Em defesa da privatização, o diretor-presidente da Copasa, Fernando Passalio, afirmou que a estatal precisa aumentar significativamente seus investimentos para cumprir as metas de universalização estipuladas. Ele argumentou que o setor requer a contratação de 1,5 milhão de trabalhadores até 2033.

Já o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Frederico Amaral e Silva, sustentou que a privatização é essencial para expandir o acesso à água tratada e melhorar a coleta e tratamento de esgoto.

Oposição tenta retardar votação, mas aprovação acontece

Durante a Reunião Ordinária, a oposição tentou barrar a votação da redação final da PEC 24/23, mas não obteve sucesso, levando o texto à etapa de promulgação pela Mesa da ALMG. O PL 4.380/25, que regulamenta a privatização, ainda aguarda parecer nas comissões.

Outros temas debatidos no plenário

Além das discussões sobre a Copasa, a reunião também contemplou a reintegração da deputada Alê Portela (PL) a partir de 20 de novembro, e propostas sobre a proibição da reconstituição de leite em pó importado, entre outras manifestações.

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