Forças militares norte-americanas que atuam no Caribe interceptaram o navio petroleiro Bella 1, de bandeira panamenha, que estava a caminho da Venezuela para carga de petróleo. A informação foi relatada pela agência Bloomberg, confirmada pela Reuters e pela CNN.
A interceptação, cuja localização exata não foi divulgada, foi revelada por fontes do governo dos EUA que optaram por permanecer anônimas. Até o momento, a Casa Branca e autoridades do governo Trump não se pronunciaram sobre o incidente.
Nicolás Maduro, o ditador venezuelano, descreveu a ação dos EUA como equivalente à de corsários, afirmando: “Os piratas eram grupos privados que se dedicavam aos mares do mundo para roubar. Os corsários são piratas contratados por um estado imperial”.
Este é o terceiro bloqueio realizado pelos Estados Unidos a embarcações venezuelanas em recente período. No último sábado (20), o superpetroleiro Centuries foi interceptado, e anteriormente, o petroleiro Skipper também foi alvo de bloqueio. Segundo Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, os dois primeiros navios estavam envolvidos no mercado negro, fornecendo petróleo a nações sob sanções internacionais.
Vale destacar que as sanções impostas pelos EUA não afetam todos os embarques de petróleo da Venezuela. Empresas norte-americanas, como a Chevron, continuam a utilizar navios autorizados para tais operações. O Bella 1, interceptado, tinha como destino a China, de acordo com documentos obtidos pela Reuters.
Este carregamento de petróleo foi adquirido pela Satau Tijana Oil Trading, uma das numerosas intermediárias que ajudam nas vendas da PDVSA (Petróleos de Venezuela) para refinarias independentes na China, que permanece como um dos maiores consumidores do petróleo venezuelano.
Analistas sugerem que a pressão exercida pelo governo Trump tem o objetivo de sufocar a principal fonte de renda da Venezuela. Se o país não puder exportar, seus tanques de armazenamento se encherão e a PDVSA pode ser forçada a fechar poços de petróleo.
Trump, que classificou o governo Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”, acusa o regime de estar ligado ao narcotráfico. Maduro, por sua vez, acusa Trump de tentar derrubá-lo para apropriar-se das imensas reservas de petróleo da Venezuela.
Desde 2019, com a imposição de sanções ao setor energético da Venezuela, empresas e negociantes têm recorrido a uma ‘frota fantasma’, composta por navios que ocultam sua localização ou que já foram sancionados por transportar petróleo de países como o Irã ou a Rússia. De acordo com dados da Tanker Trackers.com, dos mais de 70 navios dessa frota em águas venezuelanas, pelo menos 38 estão sob sanção do governo norte-americano.
Após as apreensões iniciais, o Irã manifestou apoio à Venezuela, oferecendo colaboração para enfrentar o que classifica como “atos ilegais” dos EUA.




























