Sábado, 25 de julho de 2026

Comemorações no Vale do Café celebram 70 anos de Mestra Fatinha e o Dia do Jongo

Os 70 anos de Mestra Fatinha são celebrados junto ao Dia Estadual do Jongo, em Pinheiral.

Comemorações no Vale do Café celebram 70 anos de Mestra Fatinha e o Dia do Jongo
© Marcelo Costa Braga/Midia Ninja

Os festejos dos 70 anos de Maria de Fátima da Silveira Santos, a Mestra Fatinha, estão entrelaçados à comemoração do Dia Estadual do Jongo, com a realização do 5º Encontro dos Jongos do Vale do Café, no Parque das Ruínas de Pinheiral, no sul fluminense.

O evento, que ocorrerá neste sábado (25), reunirá 450 lideranças de 18 quilombos e comunidades tradicionais de jongo dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Para a matriarca, essa reunião reafirma a cultura dos ancestrais em um local simbólico.

Nas duas áreas do Parque cedidas pela Prefeitura de Pinheiral, o Centro de Referência de Estudo Afro do Sul Fluminense (CREASF) tem desenvolvido atividades para preservar suas origens. O Parque também abriga a histórica São José dos Pinheiros, uma das maiores fazendas de café durante o Brasil colônia, onde viveram mais de 3 mil negros escravizados.

“A gente herdou essa tradição deles, e a gente mantém. São vários núcleos de jongueiros de várias famílias”, explica Mestra Fatinha.

RESISTÊNCIA

Dos 70 anos de vida, Mestra Fatinha dedicou 50 anos à luta pela preservação da cultura negra no Vale do Café.

“O jongo é a verdadeira bandeira de luta do povo preto, porque os negros escravizados usavam o jongo para se organizar, namorar, cantar a saudade da África, para cultuar os orixás.”

A matriarca destaca que o movimento negro entre o Rio e São Paulo era forte nas décadas de 1980 e 1990, período em que começou sua militância, desafiando a história contada sobre os barões do café e valorizando a contribuição dos negros.

RECONHECIMENTO

Recentemente, a Universidade Federal Fluminense concedeu a Mestra Fatinha o título de notório saber, reconhecendo seu trabalho ao longo de mais de 10 anos nos Encontros de Saberes.

“É importante contarmos nossas histórias, especialmente para crianças e adolescentes, para que valorizem a luta dos que vieram antes de nós”, ressalta.

CERTIFICAÇÃO

A Fundação Palmares certificou a região como comunidade quilombola, e a intenção é avançar no processo de delimitação da área com o Incra. “É uma área histórica que vai dar mais visibilidade à nossa cultura”, afirma.

HISTÓRIA

Em 2005, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Jongo como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Manifestações de jongo são preservadas por descendentes de escravizados de origem Bantu.

Após a abolição, a tradição do jongo se espalhou, influenciando a formação das futuras escolas de samba no Rio de Janeiro.

AGENDA

O 5º Encontro de Jongos do Vale do Café é realizado pelo Jongo de Pinheiral, em parceria com diversas instituições. A programação segue até amanhã (26), com uma procissão em homenagem à sant’Ana, seguida de ladainhas.

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