Quinta, 04 de junho de 2026

Aliados Europeus Suspendem Venda de Armas a Israel em Conflito com o Hamas

Aliados Europeus Suspendem Venda de Armas a Israel em Conflito com o Hamas
Macron defende a desmilitarização do Hamas- Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Diante da insistência de Israel em continuar a guerra contra o grupo Hamas, surgem os primeiros sinais de divisão entre Tel Aviv e seus aliados europeus. Os relatos de palestinos em situação crítica provocaram uma reação forte na Europa, levando a uma suspensão das vendas de armas e promovendo o apoio ao reconhecimento do Estado da Palestina.

O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, anunciou na última sexta-feira (8) a suspensão, “até segunda ordem”, das exportações de equipamentos militares que possam ser utilizados contra a Faixa de Gaza. A Alemanha, que é o maior fornecedor de armamentos para Israel, representa cerca de 33% das exportações, logo atrás dos Estados Unidos, que detêm 66%, conforme dados do Instituto Internacional de Pesquisa para Paz de Estocolmo (SIPRI).

Merz, embora reconhecendo o direito de Israel em neutralizar o Hamas e libertar reféns, expressou sua dificuldade em ver como esses objetivos podem ser alcançados diante da escalada da ofensiva militar.

Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou Berlim de “recompensar o terrorismo do Hamas” com o embargo de armas a Israel.

O analista político de Gaza, Muhammad Shehada, comentou sobre a decisão europeia, considerando-a inédita, mesmo com seu caráter simbólico. Ele afirmou que Israel dificultou a defesa de seus aliados europeus, com líderes israelenses afirmando que não permitirão a entrada de alimentos e água em Gaza, além de ameaçarem destruir edifícios restantes. Segundo Shehada, após quase dois anos do 7 de outubro, a situação atual não pode mais ser justificada como um desabafo emocional, mas sim como ordens claras do governo israelense que podem ser vistas como crimes de guerra.

Shehada adverte que Israel teme que essas manifestações simbólicas se traduzam em “medidas punitivas concretas”, como restrições comerciais e um bloqueio total à venda de armamentos.

Além da Alemanha, a França também manifestou sua intenção de reconhecer o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro. O presidente francês, Emmanuel Macron, defende a necessidade de desmilitarização do Hamas para garantir um Estado palestino que reconheça Israel, visando a estabilidade regional.

O Reino Unido e Portugal também cogitam reconhecer o Estado palestino se Israel não tomar ações concretas que amenizem a crise humanitária. A Eslovênia, por sua vez, tornou-se o primeiro país a proibir o comércio de armas com Israel e bloqueou importações de produtos provenientes da Palestina, ao mesmo tempo em que aumentou a ajuda humanitária a Gaza.

A União Europeia intensifica suas críticas ao bloqueio da ajuda humanitária e está considerando novas formas de pressão sobre Israel.

Atualmente, os EUA continuam a fornecer caças, blindados e bombas guiadas, enquanto a Alemanha oferece fragatas e torpedos, muitos dos quais foram utilizados em alvos no Irã, Líbano, Síria e Iémen desde 2023.

*FONTE: CNN

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