Wagner Gomes analisa a relação simbiótica entre Lula e Bolsonaro, destacando que ambos dependem um do outro para se fortalecerem. Sem Bolsonaro no cenário, Lula perde o espelho que o faz crescer e, com isso, sua razão política se torna questionável.
A instabilidade econômica, derivada do tarifaço, reacende temores sobre a inflação e mudanças no câmbio, impactando a confiança internacional no Brasil. O verdadeiro risco reside na possibilidade de sanções econômicas dos EUA, que poderiam afetar significativamente o PIB brasileiro.
Enquanto o bolsonarismo diminui, mantendo uma base leal, adota uma retórica que pode soar caricaturesca, conforme exemplificado nas críticas de Eduardo Bolsonaro às ‘elites financeiras’. Essa mudança de discurso pode confundir até mesmo o eleitorado de direita.
Numa situação reminiscente de uma peça de Tchekhov, Lula tenta angariar apoio do centro, porém, deve reconhecer que a ausência de polarização compromete sua força retórica que, por muito tempo, dependeu do antagonismo.
A falta de Bolsonaro pode também influenciar a mobilização da militância lulista, causando apatia política. Com um longo caminho até as eleições de 2026, as questões econômicas em declínio e a política externa tumultuada inevitavelmente criarão consequências, que geralmente recaem sobre o governo atual.
Na visão de Gomes, o dilema que se apresenta é: o eleitor brasileiro está preparado para uma nova narrativa política, livre de vilões caricatos?
























