Quarta, 03 de junho de 2026

Dia dos Povos Indígenas: Mobilizações por Demarcação e Proteção de Terras

Dia dos Povos Indígenas: Mobilizações por Demarcação e Proteção de Terras
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

No último domingo (19), data em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, diversas organizações indígenas se reuniram para exigir a demarcação de suas terras. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) destacou que essa demarcação é uma reparação histórica e essencial para a vida dos indígenas.

“Seguimos resistindo porque nossos territórios continuam sob ataque e nossos corpos continuam sendo alvo. Precisamos dos nossos territórios demarcados e protegidos. Sem demarcação não há vida, não há cultura, não há futuro. Território é onde plantamos, onde rezamos, onde enterramos nossos ancestrais e onde nossos filhos vão crescer”, afirmou a organização em suas redes sociais.

A APIB também sublinhou as violências enfrentadas pelos povos indígenas, como a exploração ilegal de suas terras.

“Precisamos que parem de violentar nossos corpos e territórios. Garimpo ilegal, madeireiro, invasão, assédio, feminicídio: nada disso é tradição. Violência não é cultura. Demarcar é reparar. Não há soberania nem democracia sem território demarcado”, acrescentou.

A APIB organiza o Acampamento Terra Livre, que aconteceu em Brasília em abril e é considerado a maior mobilização indígena do Brasil, reunindo representantes de diversos povos originários.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também solicitou proteção e demarcação de terras, enfatizando que a destruição dá origem a impactos no equilíbrio da Amazônia, visíveis nas secas extremas e queimadas.

“Os territórios indígenas estão sob ataque permanente, com garimpo ilegal, desmatamento, grilagem e grandes empreendimentos que invadem terras que deveriam estar protegidas. Esse problema não é um conflito isolado, mas um projeto contínuo de exploração”, comunicou.

A Anistia Internacional se pronunciou pedindo que a devolução das terras e a demarcação sejam tratadas com urgência. “Só será possível falar em celebração quando os direitos de todos os povos originários forem totalmente garantidos”, enfatizou.

“Demarcar terras, proteger comunidades e respeitar modos de vida que mantêm culturas e saberes ancestrais não é apenas uma reparação histórica. É garantir futuro. Quando esses direitos são violados, não se perde apenas o passado, mas a possibilidade de um amanhã”, completou.

A Anistia também ressaltou que os povos indígenas têm um papel crucial na proteção de cerca de 80% da biodiversidade global, segundo a ONU. “A resposta para a crise do presente já existe e vem de quem sempre esteve aqui. Defender os direitos dos povos indígenas é defender os direitos humanos”, concluiu.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) reforçou a importância de reconhecer e valorizar essas populações, afirmando que está avançando na demarcação e proteção de territórios indígenas.

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