Segunda, 19 de outubro de 2026

Mãe Senhora de Ewá, matriarca do candomblé, morre aos 104 anos em Salvador

A ialorixá liderou o Ilê Axé Omi Ewá por décadas e teve sua trajetória marcada pela defesa intransigente das tradições de matriz africana.
Morre Mãe Senhora de Ewá, liderança do candomblé, aos 104 anos

A religiosidade de matriz africana perdeu uma de suas figuras mais importantes no último sábado (17), com o falecimento de Elza Bahia de Araújo, amplamente conhecida como Mãe Senhora de Ewá. A ialorixá do Ilê Axé Omi Ewá estava com 104 anos de idade, completados recentemente em 11 de setembro, e faleceu na capital baiana.

Reconhecimento oficial e institucional

Por meio de nota oficial, o Ministério da Igualdade Racial ressaltou que a líder religiosa consagrou mais de sete décadas de sua trajetória à salvaguarda dos conhecimentos do candomblé e de seus rituais, além de ser amplamente respeitada pelo trabalho social de acolhimento na comunidade.

Em nota, o Ministério da Igualdade Racial destacou que a ialorixá dedicou mais de sete décadas de vida à preservação dos saberes do candomblé e de suas tradições, sendo reconhecida também por acolher pessoas em sua comunidade.

“Seu legado está vivo na generosidade de seus ensinamentos, na comunidade que ajudou a fortalecer e na continuidade das tradições do candomblé.”

Homenagens do terreiro e da família

Integrantes do Ilê Axé Omi Ewá prestaram homenagens à memória da matriarca, pontuando que ela exerceu plenamente seu papel sacerdotal à frente do espaço sagrado.

Representantes do Ilê Axe Omi Ewá reverenciaram a memória de Mãe Senhora de Ewá, ao afirmar que ela cumpriu seu matriarcado como ialorixá do terreiro, “deixando sua marca na história, na fé e na ancestralidade do nosso povo”.

Legado centenário na cultura dos orixás

Com uma trajetória iniciada por Mãe Menininha e vivência no histórico Terreiro do Gantois, a religiosa deixa cinco filhos, além de netos, bisnetos, tataranetos e uma imensa rede de descendentes de santo.

Iniciada por Mãe Menininha e criada no tradicional Terreiro do Gantois, Mãe Senhora de Ewá deixa cinco filhos, netos, bisnetos, tataranetos e “muitos filhos espirituais”, de acordo com comunidades como o Ilê Axé Raíxes Obá Kossô Omi.

“Ultrapassar a marca do centenário mantendo viva a chama da tradição, a voz firme no barracão e a dedicação incansável ao seu axé é testemunho de uma vida inteiramente entregue ao sagrado e à preservação da cultura dos orixás.”

Fonte: Agência Brasil

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