Um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, coletado pela Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), demonstrou um aumento alarmante no número de pessoas vivendo nas ruas do Brasil. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 13 de dezembro de 2025.
Em dezembro de 2024, 327.925 indivíduos estavam sem moradia. No final de 2025, esse número chegou a 365.822.
Esses dados são provenientes do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que mantém um registro dos beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, ajudando assim a quantificar os repasses do governo federal às prefeituras.
No início da pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021, a população em situação de rua havia diminuído de 194.824 para 158.191, mas voltou a crescer continuamente a partir de 2022.
Atualmente, a Região Sudeste concentra a maior parte dos moradores de rua, com 222.311 pessoas, representando 61% do total nacional. O Estado de São Paulo é o mais afetado, com 150.958 pessoas, seguido por Rio de Janeiro com 33.656 e Minas Gerais com 33.139. Por outro lado, no Amapá, na Região Norte, existem apenas 292 pessoas nessa condição.
Os pesquisadores do Observatório apontam quatro fatores que podem explicar esse aumento:
- Fortalecimento do Cadastro Único como principal registro da população em situação de rua;
- Ausência de políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação;
- Precarização das condições de vida após a pandemia;
- Emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.
Segundo Robson César Correia de Mendonça, integrante do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, a situação de insegurança alimentar ainda é alarmante. Ele ressalta que, apesar das políticas que reduziram a insegurança alimentar, muitos ainda enfrentam dificuldades extremas, como o custo dos medicamentos e a impossibilidade de arcar com aluguéis e alimentação.
“É preciso que o Brasil trate a população de rua como cidadãos em busca de emprego, oferecendo capacitação e sensibilização para os empresários”, afirma Robson.
A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo informa que tem trabalhado com os municípios para reduzir a população em situação de rua, já tendo repassado R$ 633 milhões em ações, sendo R$ 145,6 milhões destinados exclusivamente à população vulnerável. Medidas como a expansão do programa Bom Prato, que oferece alimentação a preços acessíveis, foram implementadas.
Fonte: Agência Brasil
























