Domingo, 19 de julho de 2026

Clara Charf, ativista e viúva de Marighella, falece aos 100 anos

Clara Charf, uma importante ativista brasileira e viúva de Carlos Marighella, faleceu aos 100 anos, deixando um legado notável de luta pelos direitos humanos e igualdade de gênero.

Clara Charf, ativista e viúva de Marighella, falece aos 100 anos
© MDHC/Divulgação

A ativista brasileira Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, faleceu nesta segunda-feira (3), aos 100 anos, por causas naturais. Clara estava hospitalizada há alguns dias e, de acordo com a Associação Mulheres Pela Paz, da qual era fundadora e presidenta, ela foi intubada.

A associação a homenageou, afirmando que Clara “deixa um legado de lutas pelos direitos humanos e equidade de gênero”. A nota descreve:

“Clara foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos. Difícil dizer que ela apagou, porque uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todas e todos que tiveram o enorme privilégio de aprender com ela. Vá em paz, querida guerreira.”

Clara Charf foi uma mulher à frente de seu tempo, enfrentando diversos obstáculos ao longo da vida, especialmente relacionados a seu marido, que foi perseguido e assassinado pela ditadura militar.

Trajetória de Luta

Na década de 1940, Clara se tornou comissária de bordo e, desde jovem, já participava ativamente da vida política do país. Ela ingressou no Partido Comunista Brasileiro e se casou com Marighella em 1947. Assim como ele, também foi perseguida e presa pelo regime militar.

Após a morte de Marighella, Clara viveu em exílio, inicialmente em Cuba, por dez anos, retornando ao Brasil em 1979 durante a anistia. Ao voltar, dedicou-se à luta pelos direitos das mulheres e pela construção de uma sociedade mais justa.

Em 2005, Clara Charf começou a coordenar o movimento Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo no Brasil, promovendo a indicação coletiva de mil mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. Para isso, deveria escolher 52 mulheres ativistas brasileiras.

Legado e Reconhecimento

Clara Charf, a filha mais velha de três irmãos, nasceu em Maceió (Alagoas), em uma família de judeus russos. Sua mãe, Ester, faleceu cedo, e o pai, Gdal, trabalhava como mascate. Apesar das dificuldades, Clara conseguiu aprender inglês e piano e se mudou para o Rio de Janeiro aos 20 anos, onde filiou-se ao Partido Comunista em 1946, conhecendo Marighella.

Após o exílio, tentou uma carreira política como candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores em 1982, conquistando 20 mil votos mas não sendo eleita. Mesmo assim, continuou sua luta pela igualdade e justiça no Brasil.

Clara Charf deixa um legado imenso, com projetos de conscientização sobre os direitos das mulheres, uma luta que travou ao longo de toda a sua vida.

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