Sexta, 17 de abril de 2026

Aval de reunião permite retirada de cadeiras no Mineirão e volta da ‘geral’

Aval de reunião permite retirada de cadeiras no Mineirão e volta da 'geral'
Foto: Henrique Chendes/ALMG

Uma audiência pública promovida pela Comissão de Participação Popular na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) discutiu na quinta-feira, dia 29, a retirada de cadeiras nos setores Amarelo e Laranja do estúdio Mineirão, na capital. A proposta recebeu forte apoio de deputados, representantes de torcidas organizadas e da diretoria do Cruzeiro, que defendem a volta do setor popular, conhecido como ‘geral’, onde os torcedores assistem aos jogos em pé por preços acessíveis.

O deputado Professor Cleiton (PV) destacou os benefícios da medida, que incluem a redução no custo dos ingressos e maior liberdade para as torcidas. Ele mencionou que, desde a introdução do padrão Fifa, os preços dos ingressos aumentaram consideravelmente, o que afastou muitos torcedores.

O parlamentar também alertou para questões de segurança, ao afirmar que muitos incidentes têm ocorrido devido a cadeiras arrancadas e lançadas por torcedores. Em 2024, os 20 maiores clubes do Brasil geraram R$10,9 bilhões em receitas, com um aumento de 21% em relação ao ano anterior, e a retirada das cadeiras em estádios tem mostrado um aumento na presença do público e nas arrecadações.

O deputado Eduardo Azevedo (PL) reforçou a tendência mundial de retirada de cadeiras e lembrou que, em 2022, 5.514 cadeiras foram danificadas, resultando em um prejuízo de R$417 mil. Ele enfatizou que a Minas Arena, concessionária que administra o Mineirão, já recebeu mais de R$1 bilhão do governo de Minas até 2022, indicando que não há limitações financeiras para essas mudanças.

Durante a discussão, o deputado Bruno Engler (PL) propôs uma lei para democratizar o acesso ao futebol, sugerindo que esses setores sem cadeiras poderiam beneficiar também os clubes do interior. Ele lembrou a legislação que estabelece um limite de 20% da capacidade dos estádios para setores sem cadeiras, mas defendeu que a eliminação das cadeiras nos setores Amarelo e Laranja poderia ampliar essa área popular.

O jornalista e pesquisador Irlan Simões defendeu que a retirada das cadeiras não implicaria em aumento de violência ou redução do conforto, mas sim em benefícios financeiros com a diminuição dos custos de manutenção. Porém, alertou que o novo setor não deve se tornar um gueto, com preços elevados nos demais espaços.

O movimento Amarelo Sem Cadeiras, liderado por Diogo Silva, reiterou que a remoção dos assentos é crucial para reverter a gentrificação nos estádios, demanda crescente desde a Copa de 2014.

Em contrapartida, Gustavo Antônio da Silva, engenheiro e presidente da Associação Mineira de Engenharia de Incêndio, levantou preocupações sobre segurança, destacando que a retirada das cadeiras requererá adequações nas normas e infraestrutura do estádio.

A diretora da Minas Arena, Jacqueline Alves, anunciou a contratação de um consultor para avaliar as mudanças propostas, priorizando a segurança e viabilidade econômica. Sílvia Lage, da Secretaria de Estado de Infraestrutura, reforçou que estudos técnicos são imprescindíveis antes de qualquer ação.

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