Terça, 21 de julho de 2026

Taxa de desemprego atinge 5,6% em agosto, igualando mínima histórica

A taxa de desemprego no Brasil apresenta um recuo significativo, permanecendo em 5,6% durante o trimestre que se encerrou em agosto. O dado, apresentado pelo IBGE, é o menor já registrado e reflete uma melhora no cenário do mercado de trabalho.

Taxa de desemprego atinge 5,6% em agosto, igualando mínima histórica
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

A taxa de desocupação no Brasil, relativa ao trimestre encerrado em agosto, se manteve em 5,6%, igualando o menor índice já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

No mesmo período do ano anterior, o índice era de 6,6%. Os dados foram divulgados na terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior taxa já registrada foi de 14,9%, alcançada em setembro de 2020 e março de 2021, durante a pandemia de covid-19.

Em agosto, o Brasil contabilizava aproximadamente 6,1 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente já registrado. Isso representa uma queda de 605 mil pessoas em busca de emprego em comparação ao trimestre encerrado em maio. O número de trabalhadores ocupados subiu para 102,4 milhões.

Com isso, o nível de ocupação, que demonstra a proporção de pessoas empregadas na população em idade de trabalhar, permaneceu em 58,1%, continuando na maior faixa histórica.

O total de trabalhadores com carteira assinada também atingiu um recorde, chegando a 39,1 milhões, um aumento de 1,2 milhão em relação ao mesmo período do ano passado.

SETORES

Conforme William Kratochwill, analista da pesquisa, a redução da taxa de desocupação é influenciada pelo setor de educação pública. “As contratações na educação pré-escolar e fundamental ocorrem ao longo do primeiro semestre, predominando por trabalhadores sem carteira registrada e contratos temporários”, esclarece.

Ele também observa uma diminuição no setor de trabalho doméstico, com 174 mil menos empregados em comparação ao último trimestre, o que pode indicar um mercado de trabalho mais aquecido.

“As pessoas estão deixando os serviços domésticos para buscar outras oportunidades de emprego.”

MERCADO DE TRABALHO

A pesquisa do IBGE abrange o comportamento do mercado de trabalho para indivíduos com 14 anos ou mais e inclui todas as formas de ocupação, sejam com ou sem carteira assinada. Apenas quem efetivamente busca uma vaga é considerado desocupado. O estudo é realizado em 211 mil domicílios por todo o Brasil.

A taxa de informalidade, que representa a proporção de trabalhadores informais na população ocupada, está em 38%, um aumento em relação aos 37,8%% do trimestre anterior, refletindo o aumento de trabalhadores autônomos sem CNPJ, que somam 19,1 milhões.

“Isso indica uma adesão ao trabalho autônomo, atraindo pessoas menos escolarizadas, especialmente em atividades de comércio e alimentação.”

RENDA

No trimestre encerrado em agosto, o rendimento médio dos trabalhadores foi de R$ 3.488, estável em relação ao trimestre anterior e apresentando um crescimento real de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de rendimento totalizou R$ 352,6 bilhões, uma elevação de 1,4% frente ao trimestre até maio e 5,4% comparado ao terceiro trimestre do ano passado.

“O mercado de trabalho está aquecido, com indicadores positivos de baixa desocupação e alta de ocupação, acontecendo mesmo com a política monetária restritiva de juros altos visando conter a inflação.”

A taxa Selic, que rege o sistema, está fixada em 15%, o maior valor desde julho de 2006.

CAGED

A Pnad é divulgada um dia após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que fornece informações sobre empregos com carteira assinada. Em agosto, o Caged registrou um saldo positivo de 147.358 vagas formais.

No acumulado dos últimos doze meses, a comparação é positiva com um total de 1,4 milhão de postos de trabalho criados.

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