Segunda, 16 de fevereiro de 2026

Reação do setor produtivo à manutenção da Selic em 15% ao ano

Reação do setor produtivo à manutenção da Selic em 15% ao ano
Foto: CNI/Divulgação

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (Bacen) de mantar a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada na quarta-feira (28), gerou uma repercussão negativa entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais, que destacaram impactos sobre o crescimento econômico, o crédito e o emprego.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia e ignora a recente trajetória de desaceleração da inflação. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, o Banco Central deveria ter iniciado um ciclo de flexibilização monetária.

“Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia e aprofunda a desaceleração do crescimento. É imprescindível iniciar a redução dos juros já na próxima reunião”, afirmou.

De acordo com a CNI, a inflação atual e as expectativas inflacionárias estão caminhando para o centro da meta. O IPCA fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto de 4,5%, enquanto projeções do Boletim Focus indicam inflação de 4% em 2026 e um gradual retorno a 3% nos anos seguintes. Mesmo assim, a taxa real de juros permanece em torno de 10,5% ao ano, cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central.

O setor da construção civil também expressou sua preocupação. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, juros altos restringem o crédito imobiliário e reduzem a demanda por novos empreendimentos, dificultando a viabilização de projetos. “Uma política monetária contracionista desacelera a atividade e impacta toda a cadeia produtiva, com reflexos prolongados sobre emprego e renda”, declarou.

Em um tom menos contundente, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avaliou a decisão como refletindo cautela diante de incertezas fiscais e externas. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa observou que, apesar da desaceleração da atividade, inflação e expectativas ainda ultrapassam a meta. Para ele, o comunicado do Copom será crucial para entender se haverá sinalização para o início do ciclo de cortes.

As centrais sindicais, por sua vez, reagiram de forma mais dura. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticou a manutenção da Selic, afirmando que ela mantém o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais, penalizando a população. “Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e resultam em menos empregos”, declarou a presidente Juvandia Moreira, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Além disso, foi destacado que cada ponto percentual da Selic representa um acréscimo de cerca de R$ 50 bilhões aos gastos públicos com juros da dívida. A Força Sindical classificou a decisão como uma “irresponsabilidade social”, acusando o Banco Central de favorecer a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. O presidente da entidade, Miguel Torres, alertou que a atual política monetária restringe o crédito, aumenta o endividamento das famílias e trava o desenvolvimento econômico.

Vale ressaltar que, apesar de todas as críticas, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. A decisão acompanhou a expectativa da maioria dos analistas de mercado, em um cenário de inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos.

REPORTAGEM DA AGÊNCIA BRASIL ESCRITA PELO REPÓRTER WELLTON MÁXIMO.

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