Segunda, 15 de dezembro de 2025

Produção industrial brasileira apresenta queda de 0,2% em julho devido a juros altos

Produção industrial brasileira apresenta queda de 0,2% em julho devido a juros altos
© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução

A produção da indústria no Brasil registrou uma queda de 0,2% de junho para julho, resultando em quatro meses consecutivos de retração. Este cenário é atribuído ao ambiente de juros altos, como detalhou a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira (3).

Entre abril e julho, o setor acumulou uma perda de 1,5%, com quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%), enquanto junho ficou estável (0%). O último período de quatro meses sem crescimento na indústria foi registrado entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023.

Em comparação a julho do ano passado, a produção industrial teve um leve avanço de 0,2% e, nos últimos 12 meses, houve expansão de 1,9%.

Atualmente, a produção do setor está 1,7% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas 15,3% abaixo do recorde histórico registrado em maio de 2011. Contudo, já se observa uma leve expansão de 0,3% para o patamar final de 2024.

Efeitos da política monetária restritiva

O gerente da pesquisa, André Macedo, afirma que o cenário negativo contínuo desde abril pode ser explicado pela política monetária restritiva, que eleva os juros para tentar controlar a inflação.

“Os juros altos encarecem o crédito, aumentam a inadimplência e impactam negativamente as decisões sobre consumo e investimento, resultando em um crescimento limitado da produção industrial”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior valor desde julho de 2006, contribuindo para a baixa no consumo e investimentos, e consequentemente, esfriando a economia.

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulou 5,23% em 12 meses, bem acima da meta estipulada pelo governo de 3% com uma tolerância de 1,5 ponto percentual.

Desempenho setorial

Durante junho para julho, 13 das 25 atividades industriais apresentaram queda, destacando-se:

  • Metalurgia (-2,3%)
  • Outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • Impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • Bebidas (-2,2%)
  • Manutenção e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • Produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • Produtos de borracha e plástico (-1%)

Setores que se destacaram positivamente foram:

  • Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%)
  • Alimentícios (1,1%)
  • Indústrias extrativas (0,8%)
  • Produtos químicos (1,8%)

Foram identificados movimentos mistos nas grandes categorias de produtos, onde bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram queda.

Impacto do tarifaço americano

O resultado de julho foi também afetado pelo tarifaço americano, cujos efeitos começaram a ser percebidos em agosto. A expectativa de taxação das exportações para os Estados Unidos gerou incertezas nas decisões empresariais.

Segundo Macedo, o impacto do tarifaço é relativamente baixo no momento atual.

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