Terça, 15 de setembro de 2026

Produção industrial brasileira apresenta queda de 0,2% em julho devido a juros altos

A produção da indústria brasileira registrou um recuo de 0,2% em julho, conforme dados do IBGE. Esse resultado reflete um período de quatro meses consecutivos de retração, impulsionado pela política de juros altos instigada pelo Banco Central.

Produção industrial brasileira apresenta queda de 0,2% em julho devido a juros altos
© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução

A produção da indústria no Brasil registrou uma queda de 0,2% de junho para julho, resultando em quatro meses consecutivos de retração. Este cenário é atribuído ao ambiente de juros altos, como detalhou a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira (3).

Entre abril e julho, o setor acumulou uma perda de 1,5%, com quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%), enquanto junho ficou estável (0%). O último período de quatro meses sem crescimento na indústria foi registrado entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023.

Em comparação a julho do ano passado, a produção industrial teve um leve avanço de 0,2% e, nos últimos 12 meses, houve expansão de 1,9%.

Atualmente, a produção do setor está 1,7% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas 15,3% abaixo do recorde histórico registrado em maio de 2011. Contudo, já se observa uma leve expansão de 0,3% para o patamar final de 2024.

Efeitos da política monetária restritiva

O gerente da pesquisa, André Macedo, afirma que o cenário negativo contínuo desde abril pode ser explicado pela política monetária restritiva, que eleva os juros para tentar controlar a inflação.

“Os juros altos encarecem o crédito, aumentam a inadimplência e impactam negativamente as decisões sobre consumo e investimento, resultando em um crescimento limitado da produção industrial”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior valor desde julho de 2006, contribuindo para a baixa no consumo e investimentos, e consequentemente, esfriando a economia.

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulou 5,23% em 12 meses, bem acima da meta estipulada pelo governo de 3% com uma tolerância de 1,5 ponto percentual.

Desempenho setorial

Durante junho para julho, 13 das 25 atividades industriais apresentaram queda, destacando-se:

  • Metalurgia (-2,3%)
  • Outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • Impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • Bebidas (-2,2%)
  • Manutenção e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • Produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • Produtos de borracha e plástico (-1%)

Setores que se destacaram positivamente foram:

  • Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%)
  • Alimentícios (1,1%)
  • Indústrias extrativas (0,8%)
  • Produtos químicos (1,8%)

Foram identificados movimentos mistos nas grandes categorias de produtos, onde bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram queda.

Impacto do tarifaço americano

O resultado de julho foi também afetado pelo tarifaço americano, cujos efeitos começaram a ser percebidos em agosto. A expectativa de taxação das exportações para os Estados Unidos gerou incertezas nas decisões empresariais.

Segundo Macedo, o impacto do tarifaço é relativamente baixo no momento atual.

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Leia também...

Últimas notícias