A preservação da memória do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, pertencente à mineradora Vale em Brumadinho, foi discutida no painel “Território de Memória: Brumadinho e os Futuros da Mineração”, realizado em 27 de agosto durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram 2026).
O evento focou na importância de transformar essa tragédia em aprendizado para o setor mineral, enfatizando os desafios da preservação das histórias das vítimas e a construção de uma memória permanente como forma de prevenção de futuras tragédias.
Edi Aparecida Tavares Pinto, diretora da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), destacou a relevância do Memorial de Brumadinho para os familiares e a preservação da história das vítimas. Ela afirmou:
“O Memorial foi construído para dar nome, dignidade e pertencimento às vítimas e aos seus familiares. É um espaço de reflexão, escuta e partilha, que preserva a história daqueles que não podem ser reduzidos a números. Convido todos que fazem parte da mineração a conhecer o Memorial, porque ali está a história daquilo que jamais queremos que se repita. Manter essa memória viva é também lutar para que a vida esteja sempre em primeiro lugar.”
Pauline Araújo, gestora museológica da Fundação Memorial de Brumadinho, explicou que o espaço se encaixa no contexto dos chamados lugares de memória, que são importantes para preservar as histórias de guerras e violação de direitos humanos. Ela argumentou que iniciativas como essa são fundamentais para construir uma cultura de respeito aos direitos humanos.
A discussão também abordou os atuais desafios e as perspectivas futuras do setor mineral. Fabíola Moulin, diretora-presidente da Fundação Memorial de Brumadinho, apontou que é essencial reafirmar o compromisso com a responsabilidade no setor e manter um diálogo contínuo sobre o passado e o futuro da mineração. Ela afirmou que
“estamos vivendo um novo ciclo estratégico que requer uma reflexão profunda sobre o modelo de mineração que o Brasil quer construir após as tragédias de Mariana e Brumadinho. Não dá para construir o futuro sem olhar para esse passado.”
A mediação do painel foi feita por Vanessa Sousa Vieira, que ressaltou o papel do Memorial como um ato político e uma instituição permanente de memória, enfatizando que “monumentos homenageiam; instituições responsabilizam”.
























