Sexta, 17 de abril de 2026

Estudo revela condições críticas do trabalho remoto globalmente

Estudo revela condições críticas do trabalho remoto globalmente
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

As plataformas digitais se tornaram essenciais na mediação de serviços ao redor do mundo, abrangendo desde entregas até aluguel por temporada. Além disso, muitas empresas têm contratado uma força de trabalho global para realizar tarefas à distância, que vão desde a alimentação de dados para inteligência artificial até serviços profissionais como consultoria jurídica e arquitetura.

Segundo o Relatório Fairwork Cloudwork Ratings 2025, que avaliou 16 das plataformas mais utilizadas, o trabalho remoto dessas plataformas é a principal fonte de rendimento para seis em cada dez trabalhadores. Contudo, as condições enfrentadas por esses profissionais são alarmantes.

Fatores como o não pagamento de serviços prestados, atrasos nos pagamentos e remunerações abaixo do salário mínimo local têm sido recorrentes. Além disso, o relatório destaca a falta de suporte e segurança, especialmente para aqueles que lidar com conteúdos sensíveis, como vídeos violentos e materiais de natureza sexual.

O estudo, coordenado pela Universidade de Oxford em parceria com o WZB Berlin, envolveu cerca de 750 trabalhadores em 100 países. As notas médias das plataformas foi de 3,5 em um total de 10, com empresas como Amazon Mechanical Turk e Freelancer obtendo as piores avaliações, sem pontuação.

O relatório também destacou que apenas quatro das plataformas analisadas garantem salários adequados, considerando as deduções. O coordenador do estudo, o brasileiro Jonas Valente, ressalta que a complexidade dos contratos, muitas vezes redigidos em inglês, dificulta a compreensão das regras e direitos dos trabalhadores, especialmente em países onde o inglês não é amplamente falado.

A pesquisa conclui que é necessária uma intervenção regulatória eficiente, com a criação de leis que protejam esses trabalhadores globais e assegurem condições de trabalho dignas. A preocupação é compartilhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no Brasil, que já tem recebido denúncias sobre descumprimento das normativas trabalhistas no setor.

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