Domingo, 24 de maio de 2026

Correios anuncia reestruturação: fechamento de 700 agências e 10 mil demissões

Correios anuncia reestruturação: fechamento de 700 agências e 10 mil demissões
Os Correios atravessam a maior crise dos seus 362 anos de história – Foto: Correios/ Divulgação/ Via CNN

Os Correios decidiram implementar um plano de reestruturação em resposta à severa crise financeira que estão enfrentando. Entre as medidas mais drásticas estão a demissão de cerca de 10 mil funcionários através de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) e o fechamento de aproximadamente 700 agências.

O presidente da instituição, Emmanoel Rondon, anunciou que essas mudanças ocorrerão ainda este ano em todo o Brasil, buscando amenizar a crise que ameaça a continuidade dos serviços da empresa. A direção observa que, para superar essa fase crítica, é crucial reduzir custos, modernizar operações e restaurar a saúde econômica da estatal, que enfrenta uma contínua perda de competitividade.

Aderindo a essa reestruturação, o plano inclui a eliminação de mão de obra ociosa e ajustes em sobreposições de serviços, priorizando a manutenção de unidades onde a operação é mais justificada. Para isso, um estudo interno será realizado, incorporando análises que transcendem a simples distância entre as unidades.

Adicionalmente, um corte na folha salarial de até R$ 2 bilhões anuais está previsto. A tentativa anterior de PDV não foi bem-sucedida, com apenas 3.600 dos 8 mil funcionários se inscrevendo, razão pela qual a direção busca tornar essa nova proposta mais atrativa.

Apesar das ações, como o PDV e a revisão dos benefícios do acordo coletivo, os Correios reconhecem que as medidas poderão não ser suficientes para estabilizar as finanças, o que torna necessária a busca por aumento de receitas e fontes alternativas de sustentabilidade.

Um dos planos mais audaciosos é a criação de um ‘fundo de imóveis’, em parceria com a Caixa Econômica Federal, que reunirá 2.366 imóveis avaliados em R$ 5,4 bilhões. Os imóveis serão vendidos para levantar capital e, posteriormente, alugados, o que poderá incluir o famoso prédio sede dos Correios em Brasília. Essa estratégia também servirá como um respaldo para um pedido de empréstimo feito pela estatal a instituições financeiras.

Ciente de que perdeu espaço no setor de logística, a direção dos Correios planeja se reposicionar, competitivamente, investindo em nichos ainda pouco explorados. Um dos objetivos deste pacote de reestruturação é melhorar a prestação de serviços para o governo, especialmente em áreas que exigem controle de temperatura, como no transporte de medicamentos e vacinas, iniciando, assim, uma vertente de parcerias com empresas privadas.

Por fim, a proposta inclui ainda a implantação de serviços financeiros através de colaborações com bancos, sem a necessidade de processo licitatório. A intenção é clara: reduzir despesas, atrair investimentos privados e criar novas oportunidades de receita, preparando os Correios para um mercado cada vez mais desafiador.

A direção da estatal reafirma que as medidas são duras, mas indispensáveis para evitar o agravamento da atual crise e recuperar a relevância da empresa no setor logístico.

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