Quinta, 28 de maio de 2026

Banco de Brasília altera regras e aceita aportes parciais em aumento de capital

Banco de Brasília altera regras e aceita aportes parciais em aumento de capital
© Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) anunciou alterações em seu processo de aumento de capital, permitindo agora a aceitação de aportes parciais de recursos. Novas homologações intermediárias poderão ser feitas para recursos internalizados até R$ 8,8 bilhões, que necessitarão de autorização do Banco Central.

“Esse modelo permite que os recursos aportados passem a produzir efeitos no capital do banco de forma gradual, sem prejuízo das etapas remanescentes”, divulgou o banco estatal nesta quarta-feira (27).

Anteriormente, o BRB aguardava a conclusão total do processo de captação para receber a aprovação final do Banco Central.

Em abril, a proposta de aumento de capital do BRB foi aprovada pelos acionistas, sendo que o principal acionista é o governo do Distrito Federal (GDF), com 53,7% das ações. O banco tem a possibilidade de emitir ações ordinárias e preferenciais até o limite de R$ 8,81 bilhões, com cada ação sendo emitida a R$ 5,36 no mercado, para subscrição privada.

Com essa mudança, espera-se que o capital social do BRB passe de R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões, podendo chegar a R$ 11,16 bilhões no máximo.

Outra novidade consiste na prorrogação do prazo para compra de novas ações pelos acionistas atuais. “O prazo de exercício foi prorrogado até 3 de junho para preservar os direitos de todos os acionistas”, informou o BRB.

Contexto atual do BRB

Fundado em 1964, o BRB enfrenta uma crise institucional sem precedentes. Com a deflagração da Operação Compliance Zero em novembro de 2025, a Polícia Federal expôs um esquema de fraudes financeiras que gerou um prejuízo bilionário para o banco, decorrente da aquisição de ativos problemáticos do Banco Master.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, está preso desde março de 2026, investigado por fraudes financeiras. As consequências dessa investigação acarretaram o afastamento e prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), por suspeitas de recebimento de propina para facilitar a transação.

Ainda não foi determinado o seu real impacto nas finanças do BRB, visto que a instituição não apresentou suas atualizações contábeis ao Banco Central, que tinha como prazo máximo 31 de março. As previsões indicam um prejuízo superior a R$ 10 bilhões.

Empréstimo e assistência governamental

O governo do Distrito Federal propôs uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), reivindicando que o governo federal socorra o BRB. O processo pede autorização para R$ 6,6 bilhões em empréstimos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Durante uma audiência, a governadora Celina Leão e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, discutiram o tema. O empréstimo é fundamental para que o BRB atenda às exigências regulatórias do Banco Central e continue em operação, após as fraudes reveladas pela Operação Compliance Zero.

Na terça-feira (26), após audiência no STF, Durigan mencionou que o governo deve apresentar garantias para o empréstimo. Caso o GDF não cumpra com os pagamentos, haverá um desconto nos repasses dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).

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