No cenário de São Luís, no Maranhão, a presença de mercadinhos e feiras populares ao lado das grandes redes de supermercados é um reflexo de dinâmicas de exclusão e desigualdade na cidade. Essa realidade foi analisada por Livia Cangiano, pós-doutoranda da Universidade de São Paulo (USP), que utiliza teorias desenvolvidas por Milton Santos na década de 1970, em seu estudo sobre a economia urbana.
Neste 3 de maio, celebra-se o centenário de nascimento de Milton Santos, um dos geógrafos mais influentes, falecido em 2001. Sua obra permanece como referência para a análise das desigualdades socioeconômicas.
A teoria de Milton classifica a economia urbana em dois circuitos: o superior, que concentra grandes empresas com alto nível de tecnologia e capital, e o inferior, que se caracteriza por pequenos comércios mais adaptáveis às necessidades da população.
“É muito difícil para as pessoas da periferia deixarem o espaço onde vivem e se deslocarem até o centro para consumir,” observa Livia Cangiano. “Por isso, muitos abrem seus próprios comércios, como mercadinhos e quitandas.”
Além do Brasil, a relevância da teoria de Milton Santos também é percebida em contextos internacionais, como Gana e cidades europeias, onde sua abordagem sobre urbanismo é aplicada para entender as dinâmicas locais.
Biografia
Nascido em 3 de maio de 1926 na Bahia, Milton Santos formou-se na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e completou seu doutorado na França. Exilado durante a ditadura militar, lecionou em diversas universidades internacionais e foi professor na UFRJ e na USP.
Milton enfrentou o racismo estrutural e se tornou uma referência para intelectuais negros, como Catia Antonia da Silva. “O Milton foi fundamental para minha formação”, comenta Catia, refletindo sobre o impacto de sua obra.
Teorias das Desigualdades
O geógrafo argumentava que a desigualdade na distribuição de infraestrutura urbana é resultado de decisões políticas e econômicas, e não um acaso. Ele acreditava que as disparidades observadas nas cidades são manifestações diretas de relações de poder.
Para Milton, o espaço é um reflexo da ação humana, moldado ao longo do tempo pela industrialização e urbanização. “Esse espaço historicamente produzido resulta de grandes aparatos do Estado,” explica Catia Antonia da Silva.
Futuros Possíveis
Apesar das críticas, Milton Santos via oportunidades de transformação através da apropriação local das tecnologias que geralmente ampliam as desigualdades. Iniciativas que surgem em comunidades suburbanas podem ser soluções viáveis para desafios socioeconômicos.
O centenário de Milton Santos será celebrado com uma série de eventos por todo o país, incluindo o Seminário Internacional Milton Santos 100 anos na USP, que ocorrerá de 4 a 8 de maio em formato híbrido.
























