Sexta, 17 de abril de 2026

Desigualdades raciais persistem após abolição da escravatura no Brasil

Desigualdades raciais persistem após abolição da escravatura no Brasil
Imagem: Reprodução Bossa News

O Brasil aboliu oficialmente a escravidão em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea. Embora este evento seja frequentemente visto como um marco libertador, ele não trouxe a justiça necessária para mais de 1.524.000 pessoas que eram escravizadas, conforme dados do Censo de 1872. Sem ações de reparação ou inclusão social, as pessoas libertas foram deixadas à deriva, em uma sociedade que continuou a marginalizá-las.

“O povo negro foi liberto sem nenhuma política de reparação. A população negra, em geral, não tinha acesso a escolas adequadas até a década de 70. As terras foram ‘distribuídas’ entre imigrantes, enquanto as pessoas escravizadas não eram remuneradas e, portanto, não podiam adquirir terras. Assim, construíram moradias precárias nas periferias, gerando as favelas,” explica Joice Maia, pedagoga e ativista social do Instituto Fala Quilombo.

De acordo com o demógrafo Mario Rodart, coordenador do Núcleo de Pesquisa Histórica Econômica e Demográfica da UFMG, estratégias para extinguir a escravidão já estavam sendo pensadas e o Brasil passava por um processo de branqueamento populacional. O movimento abolicionista, a pressão externa e o receio de revoltas quilombolas também impulsionaram a abolição.

A falta de inclusão gerou desigualdades que persistem ao longo dos séculos, evidenciadas por dificuldades de acesso à educação de qualidade e melhores empregos. Assim, o Dia da Abolição é uma data de conscientização e um chamado a reformas históricas.

Joice Maia acrescenta: “Os principais fatores para combater a desigualdade racial incluem políticas públicas de reparação eficazes e a representação antirracista nos âmbitos político e judiciário.”

A genealogia da população negra não se limita à escravidão; é vital repensar os currículos escolares para abordar a contribuição africana em áreas como tecnologia, medicina e engenharia, ressaltando o impacto essencial que esses povos tiveram na formação do Brasil.

O Instituto Fala Quilombo, inspirado pelo Festival Fala Quilombo, que celebra a cultura afro-brasileira através de teatro, exposições e música, foi fundado em fevereiro de 2025. Ele visa honrar as conquistas e a ancestralidade da população negra, emergindo de um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) chamado OCDoce.

Em homenagem ao Dia da Abolição da Escravatura, a Diretoria de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Itabira realizará, no domingo (18), o “Resgate da Festa de São Benedito, Santa Efigênia e Divino Espírito Santo” no bairro Praia. A festividade começará às 7h, com a chegada das guardas de marujada, e às 8h30, o cortejo seguirá suas atividades, reafirmando a identidade afro-brasileira como forma de resistência cultural.

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