O desenvolvimento do cinema indígena e sua interação com o audiovisual não indígena foram discutidos no 26º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que teve lugar em Goiás até o último domingo (16).
O FICA é conhecido como o maior evento audiovisual com temática ambiental da América Latina.
Durante o evento, Takumã Kuikuro, renomado cineasta do Parque Indígena do Xingu, destacou duas abordagens principais no cinema indígena: a primeira, registrar o conhecimento oral das aldeias; a segunda, criar narrativas traduzidas ao português que apresentem a realidade indígena ao público não indígena.
“Temos que superar a narrativa etnográfica como única linguagem [sobre indígenas no cinema], essa tem sido a minha preocupação. E explorar a fundo a linguagem cinematográfica para contar nossas próprias histórias, criando nossos personagens e produzindo mais filmes de ficção”, comentou.
No FICA 2025, Takumã participou da seleção de obras para as competições, evidenciando um amadurecimento na produção audiovisual indígena.
Vincent Carelli, outro cineasta premiado e membro do júri do festival, enfatizou: “Esse acesso íntimo à língua e a convivência com a cultura é um grande diferencial no conteúdo produzido”.
Kléber Xukuru, cineasta e comunicador, ressaltou a resistência dos povos indígenas e como o audiovisual se tornou uma ferramenta de luta.
Um filme que exemplifica essas questões é Minha Terra Estrangeira, que aborda a trajetória do cacique Almir Suruí e de sua filha, Txai, durante as eleições de 2022, com diferentes olhares sobre a vida indígena.
Nesta edição do FICA, foi criado o Fórum Indígena e de Povos Tradicionais, que visa amplificar os saberes dos povos nos territórios e fortalecer suas produções. A programação inclui mostras de cinema, oficinas e debates sobre a importância da estética indígena no audiovisual.

























