Segunda, 15 de dezembro de 2025

Com críticas da França, UE apresenta proposta de acordo com o Mercosul

Com críticas da França, UE apresenta proposta de acordo com o Mercosul
© Reuters/Yves Herman/Proibida reprodução

A Comissão Europeia irá apresentar, nesta quarta-feira (3), o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Essa proposta gerou tensões, especialmente com a França, que se opõe ao acordo e possui aliados críticos ao projeto.

Após 25 anos de negociações, a UE e o bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai chegaram a um entendimento em dezembro. Agora, o pacto deve passar pela votação no Parlamento Europeu e buscar a aprovação de 15 dos 27 membros da UE, que representem 65% da população do bloco. No entanto, a aprovação não é garantida.

Os defensores do acordo, como a Alemanha e a Espanha, argumentam que ele é crucial para compensar a perda de comércio em razão das tarifas impostas pela administração do presidente dos EUA, Donald Trump, além de reduzir a dependência da Europa em relação à China, especialmente em minerais essenciais.

Desde a reeleição de Trump em novembro, a UE intensificou suas atividades para formar novas alianças comerciais, com negociações se acelerando com países como Índia, Indonésia e os Emirados Árabes Unidos.

A Comissão Europeia diz que o acordo com o Mercosul é o maior em termos de reduções tarifárias feitas até hoje, refletindo um esforço vital da UE para diversificar seus laços comerciais.

No entanto, a oposição é forte. A França, principal produtora de carne bovina da UE, descreveu o pacto como “inaceitável”. Agricultores europeus têm feito protestos, alegando que o acordo favorece importações de produtos sul-americanos que não atendem aos padrões de segurança alimentar e ecológicos da UE. Grupos ambientalistas também se manifestaram contra, com a organização Friends of the Earth chamando o acordo de “destruidor do clima”.

Esses defensores se preocupam que a oposição não se limite apenas ao Parlamento, onde a extrema direita e os Verdes questionam o projeto, mas também pelos governos dos Estados membros da UE, que podem unir forças contra o acordo, potencialmente contando com a Polônia e a Itália na oposição à França.

Por outro lado, aqueles que apoiam o acordo reconhecem o Mercosul como um mercado em expansão para produtos europeus, como carros, máquinas e produtos químicos, além de serem uma fonte confiável de minerais essenciais para a transição verde da Europa, como o lítio metálico.

Acordos de maior acesso e tarifas reduzidas para produtos como queijos, presunto e vinho da UE também são destacados como benefícios do pacto.

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