Domingo, 13 de setembro de 2026

ArcelorMittal e Sindmon-Metal: Impasse sobre a jornada de trabalho persiste

A indefinição sobre a jornada de trabalho na ArcelorMittal se mantém após uma nova reunião entre a empresa e o Sindmon-Metal, sem resultados conclusivos.

ArcelorMittal e Sindmon-Metal: Impasse sobre a jornada de trabalho persiste
Arquivo JAN

A reunião realizada nesta terça-feira (17) entre a ArcelorMittal e o Sindmon-Metal resultou em mais um dia sem um acordo definitivo sobre a escala de trabalho na usina de João Monlevade. Por ora, a empresa manterá o modelo de turno fixo, iniciado na semana passada.

O encontro, pedido pela própria ArcelorMittal, discutiu a proposta de um acordo transitório. A sugestão é retornar, por 60 dias, ao modelo anterior, conhecido como 6-3-3. Durante esse período, a empresa planeja contratar uma consultoria especializada para analisar alternativas que atendam às necessidades da usina e dos trabalhadores.

O Sindmon-Metal informou que a proposta será avaliada pela diretoria e departamento jurídico, que ainda não se manifestaram oficialmente. “É crucial que trabalhadores e sindicato mantenham o diálogo aberto para garantir uma jornada de trabalho mais digna“, afirmaram em suas redes sociais, destacando que outros membros do grupo econômico têm direitos melhores em diferentes unidades.

IMPASSE CONTINUADO

Com a indefinição, aproximadamente 670 trabalhadores permanecem em turno fixo, sem variação de horários, divididos em turnos das 7h às 15h, 15h às 23h e 23h às 7h. A empresa argumenta que essa estrutura é legal e necessária, já que não há um acordo coletivo vigente, conforme estipulado pela legislação trabalhista.

Por outro lado, o sindicato critica o atual modelo de jornada, apontando riscos para a saúde física e mental dos trabalhadores. Eles defendem a implementação do modelo 4×4, com turnos de 12 horas e quatro dias de folga, prática já adotada por outras usinas da ArcelorMittal, como em Pecém (CE), Vega do Sul (SC) e Tubarão (ES). O Sindmon-Metal propõe a realização de um teste desse formato por seis meses.

Os representantes dos empregados avaliam que a proposta atual da empresa não atende, por ora, às expectativas da categoria, devido à falta de avanços na jornada de 12 horas. Apesar disso, ambos os lados indicam disposição para continuar as negociações.

O modelo 6-3-3, que estava em vigor até o início de março, foi suspenso após o término do acordo coletivo em fevereiro, que foi rejeitado em uma assembleia no dia 9 de janeiro. O sindicato apresentou uma proposta, mas a ArcelorMittal não respondeu até o final de fevereiro.

Sem um desfecho acordado, desde 10 de março, o impasse se intensificou, levando à adoção do turno fixo como medida provisória. A ArcelorMittal alega que essa é a única opção que atende às suas necessidades operacionais, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), quando não há acordo de turno vigente.

A empresa também se reuniu com os empregados na semana passada para discutir perdas salariais que poderão ocorrer se o turno fixo for mantido, além de apresentar uma proposta para aumentar de sete para dez dias as folgas extras. Contudo, de acordo com o sindicato, os trabalhadores preferem a certeza do turno fixo a retornar ao modelo anterior e desejam a implementação do 4×4.

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