Domingo, 18 de janeiro de 2026

Nicolás Maduro: A trajetória de um líder controverso da Venezuela

Nicolás Maduro: A trajetória de um líder controverso da Venezuela
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Neste sábado (3), Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, foi capturado por forças dos Estados Unidos, segundo Donald Trump. Em seu terceiro mandato consecutivo e no poder há 12 anos, Maduro encerra sua trajetória em meio a um cenário de ataques militares e forte contestação internacional.

ORIGEM POPULAR E ASCENSÃO SINDICAL

Nascido em Caracas, Maduro, agora com 62 anos, iniciou sua trajetória política a partir de uma origem humilde. Após concluir o ensino médio, trabalhou como motorista de ônibus e, ao final da década de 1970, destacou-se ao fundar um novo sindicato para os trabalhadores do transporte público.

Seu envolvimento político se intensificou ao se juntar ao Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), sob a liderança de Hugo Chávez. Após a tentativa de golpe de 1992, que resultou na prisão de Chávez, Maduro ganhou notoriedade ao lutar pela libertação do líder, solidificando sua posição como um de seus principais aliados.

DA POLÍTICA INSTITUCIONAL AO NÚCLEO DO CHAVISMO

Com a ascensão de Chávez à presidência em 1999, Maduro iniciou sua carreira oficial na política, sendo membro da Assembleia Nacional Constituinte e, mais tarde, deputado e presidente da Assembleia Nacional. Em 2006, assumiu o Ministério das Relações Exteriores, onde se tornou um reputado negociador pragmático e fiel ao projeto chavista.

Em 2012, Chávez nomeou Maduro como seu sucessor, selando sua ascensão ao poder.

CHEGADA AO PODER E PRIMEIROS CONFLITOS

Após a morte de Chávez em 2013, Maduro venceu uma eleição acirrada contra Henrique Capriles, mas seu governo foi rapidamente marcado por instabilidade política e protestos. Entre 2014 e 2019, o país enfrentou grandes manifestações, levando a repressão severa e prisões de líderes opositores.

COLAPSO ECONÔMICO E CRISE HUMANITÁRIA

A administração de Maduro coincidiu com uma grave crise econômica, caracterizada pela hiperinflação e escassez de itens essenciais. Em 2019, a inflação anual atingiu milhões por cento, exigindo que mais de 6 milhões de venezuelanos deixassem o país até 2023.

AUTORITARISMO E ISOLAMENTO INTERNACIONAL

Maduro consolidou seu poder com o enfraquecimento das instituições democráticas, convocando uma Assembleia Constituinte em 2017 sem o Parlamento. As eleições subsequentes foram marcadas por fraudes e pela falta de reconhecimento internacional, isolando ainda mais a Venezuela.

CONFLITO TERRITORIAL E ESCALADA DE TENSÕES

Recentemente, Maduro provocou tensões regionais ao criar uma província em território disputado com a Guiana, gerando temores de conflito armado na América do Sul.

TERCEIRO MANDATO E QUEDA

Maduro foi reconduzido ao cargo em eleições contestadas, e os EUA intensificaram a pressão sobre seu regime, culminando na operação que resultou em sua prisão.

Nicolás Maduro, de motorista de ônibus a herdeiro político de Chávez, deixa o poder como uma figura polêmica, marcada por polarização e crise econômica profunda.

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