O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, declarou que, até o momento, os inspetores sob sua coordenação não encontraram provas concretas de que o Irã esteja envolvido em um esforço sistemático para a construção de uma bomba atômica. A AIEA encarrega-se de monitorar o programa nuclear do país persa.
Durante uma entrevista à TV CNN, Grossi comentou que, coincidentemente com algumas fontes mencionadas, “não temos qualquer evidência de um esforço sistemático [do Irã] para avançar em direção a uma arma nuclear”. Ele se referiu à especulação de quanto tempo o Irã poderia levar para desenvolver uma bomba atômica, desafiando a ideia de que isso poderia ocorrer em questão de dias ou semanas.
“Certamente, não era para amanhã. Embora não fosse uma questão de anos, eu talvez levasse isso mais a sério”, afirmou Grossi.
O chefe da AIEA também enfatizou a impossibilidade de detectar atividades nucleares secretas, ressaltando que, se houvesse alguma operação clandestina, os inspetores não poderiam saber.
A posição de Grossi não foi bem recebida pelo governo iraniano, que acusa a AIEA de manipular resoluções para justificar ações contra Teerã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaiel Baqaei, declarou que a AIEA foi instrumentalizada por Israel e Estados Unidos, usando a alegação de ‘não conformidade’ como pretexto para uma agressão militar contra o Irã.
Os recentes relatórios da AIEA destacam a preocupação com o enriquecimento de urânio pelo Irã, que atualmente ultrapassa os 60%, enquanto para a produção de armas nucleares, os níveis precisam chegar a 90%.
“O Irã, único Estado sem armas nucleares que está produzindo urânio enriquecido a 60%, continua gerando preocupações sérias”, diz o relatório da AIEA publicado em 31 de maio de 2025.
O Irã mantém que seu programa nuclear é pacífico e estava em negociações com os EUA sobre o tema, quando foi alvo de ataques aéreos por Israel.
O governo dos EUA, por sua vez, expressou preocupação com a possibilidade de o Irã desenvolver armas nucleares, com o secretário de Estado, Marco Rúbio, afirmando que “o Irã está no limiar” de se tornar uma nação com capacidade nuclear.
























