Sexta, 01 de maio de 2026

Vale pressiona por ampliação das operações em Itabira, mas contrapartidas são questionadas

Vale pressiona por ampliação das operações em Itabira, mas contrapartidas são questionadas
Nuvem de poeira registrada no sábado – Foto: Nivaldo Ferreira

Na reunião pública realizada pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) na última segunda-feira (12), o gerente de planejamento da Mina da Vale, Diogo Prata, defendeu a continuidade das operações da empresa em Itabira, vinculando a aprovação do projeto de ampliação das cavas e das pilhas de estéril e rejeito das minas do Meio e de Conceição à manutenção da produção até 2041.

“É interesse da Vale continuar no território de Itabira, é muito importante essa operação aqui. Então, dentro da Vale, a gente continua com os estudos de continuidade das nossas operações. Mas, para que a gente continue operando, esse projeto precisa ser aprovado”, afirmou Prata.

Contudo, a proposta de continuidade das operações contrasta com as fragilidades das contrapartidas apresentadas ao município. Embora as medidas atendam às exigências legais, elas carecem de efetividade diante dos impactos diretos.

A maior parte da compensação ambiental será realizada fora de Itabira, devido à alegação da equipe técnica da empresa sobre a falta de áreas com vegetação compatível no município. As ações previstas incluem doação de uma área ao Parque Nacional do Gandarela (em Rio Acima), repasse de R$ 576 mil ao ICMBio e criação de um horto florestal com investimento de R$ 800 mil. Contudo, não foram apresentadas ações diretas para a promoção da diversificação econômica local.

Impactos Ambientais

O relatório ambiental do projeto indica perdas significativas como:

  • Perda de cobertura vegetal;
  • Fragmentação de habitats;
  • Supressão de espécies protegidas (2.998 indivíduos);
  • Alterações nas paisagens naturais;
  • Interferência nos cursos d’água da região do Cubango.

Os estudos apontam que a intervenção afetará 128,48 hectares de vegetação nativa, requerendo compensação de 256,96 hectares. No total, o projeto prevê compensação ambiental para mais de 700 hectares impactados, a maior parte fora de Itabira.

A bióloga Conceição Nery, da equipe de licenciamento ambiental da empresa, justificou a escolha das regiões para compensação: “Quando nós fomos montar o processo de compensação, não existiam áreas com essa mesma estrutura de vegetação dentro do território do município. Nosso empreendimento será instalado em área de Mata Atlântica, e nós não podemos compensar em outro território”.

Propostas e Valores

Como parte do processo de licenciamento, a mineradora apresenta medidas como:

  • Doação de uma área ao Parque Nacional do Gandarela;
  • Repasse de R$ 576 mil ao ICMBio, destinado a ações de preservação;
  • Criação de um horto florestal, com investimento de R$ 800 mil, abrangendo viveiro de mudas, ações de educação ambiental e recuperação de nascentes.

Apesar dessas indicações, moradores e conselheiros do Codema têm exigido contrapartidas mais efetivas para Itabira.

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