Sexta, 23 de janeiro de 2026

Ilegalidade na exploração madeireira: Amazonas apresenta alarmantes 62%

Ilegalidade na exploração madeireira: Amazonas apresenta alarmantes 62%
© Reuters/Ueslei Marcelino

Um estudo recente divulgado pelo Imazon revelou que, dos 68 mil hectares de exploração madeireira no Amazonas, cerca de 42 mil hectares são realizados sem a devida autorização dos órgãos ambientais. Isso significa que impressionantes 62% da atividade na região ocorre de forma ilegal.

A pesquisa, que é realizada anualmente pela Rede Simex, composta por três organizações ambientais – ICV, Imaflora e Imazon – utilizou imagens de satélite para mapear a extração de madeira entre agosto de 2023 e julho de 2024. Ao comparar com o levantamento anterior (agosto/2022 a julho/2023), foi identificado um aumento de 9% na área de retirada ilegal.

A pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, Camila Damasceno, expressou sua preocupação com o aumento, ressaltando que a exploração ilegal de madeira está impulsionando outros crimes ambientais associados, como queimadas e desmatamento. Ela destaca:

“Além disso, também prejudica o mercado legalizado de madeira, que faz a remoção das árvores por meio do manejo florestal sustentável e gera empregos e impostos para o Amazonas.”

No que diz respeito à exploração legal, o Amazonas observou um crescimento significativo, passando de 11,3 mil hectares de madeira autorizada entre agosto de 2022 e julho de 2023 para 26,1 mil hectares no período seguinte, refletindo um aumento de 131%.

Concentração da exploração ilegal

A exploração madeireira ilegal concentra-se principalmente em dois municípios do sul do Amazonas: Boca do Acre e Lábrea, que juntos representam 75% da totalidade da exploração irregular. Boca do Acre, líder no ranking, reportou 20,5 mil hectares de atividades ilegais, enquanto Lábrea registrou 10,9 mil hectares.

“Esses municípios estão situados na região de expansão agropecuária chamada Amacro, na divisa do Amazonas com o Acre e Rondônia. Alertamos que a extração de madeira nesses territórios pode indiciar desmatamento futuro para grilagem ou produção de grãos e gado, necessitando assim de fiscalização intensificada”, advertiu Camila.

Impacto nas terras protegidas

A exploração ilegal de madeira invadiu áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação. Camila Damasceno ressaltou que:

“A entrada de invasores para retirada de madeira desses territórios ameaça os povos e comunidades tradicionais, que dependem da floresta em pé para manter seu modo de vida.”

O levantamento indicou que cerca de 13% da retirada irregular de madeira (aproximadamente 5,6 mil hectares) ocorreu em áreas protegidas, sendo 9% em terras indígenas e 4% em unidades de conservação. Embora houve uma redução de 19% na exploração ilegal nessas áreas em comparação ao ano anterior, a área ainda excede 5 mil campos de futebol em termos de degradação.

De acordo com o Imazon, além das emissões de carbono resultantes, a degradação florestal causa perda de biodiversidade e conflitos sociais. Pesquisas apontaram que imóveis rurais listados em bancos de dados públicos, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), contribuíram com 32,5 mil hectares da área explorada irregularmente, e as florestas públicas não destinadas (FPNDs) somaram 3,3 mil hectares a esse total.

“Destinar essas terras a povos e comunidades tradicionais ou à conservação é uma ação urgente para a proteção do patrimônio público e ambiental dos amazonenses e dos brasileiros”, finalizou o Imazon.

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