Sexta, 07 de agosto de 2026

Estudo revela taxas alarmantes de deformações em peixes capixabas

Um estudo recente apontou que uma quantidade alarmante de peixes apresenta deformações no litoral norte do Espírito Santo, indicando possíveis impactos ambientais de longo prazo.

Estudo revela taxas alarmantes de deformações em peixes capixabas
© Rafael Lima Oliveira

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) identificaram uma taxa recorde de deformações em peixes no litoral norte do Espírito Santo. A pesquisa revelou que 60,5% dos exemplares da espécie Stellifer naso, conhecida como cabeçudo-preto ou tambor-estrela, apresentaram anomalias.

Este percentual supera os registros prévios na literatura científica brasileira, onde o maior índice de deformação era de 27,1%, observado em bagres da espécie Cathorops spixii.

O estudo, publicado na revista Ocean and Coastal Research, sugere que a alta incidência de anomalias pode estar relacionada à poluição ambiental persistente, resultado do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

Os peixes foram coletados em maio de 2022, quase sete anos após a tragédia, na foz do Rio São Mateus, próximo a Conceição da Barra (ES). O pesquisador Jonas Andrade-Santos, do Museu Nacional da UFRJ, destaca que os resultados encontrados estão bem acima da média, indicando uma possível relação com as consequências do desastre.

“Comparando com outros trabalhos similares no Brasil, o nosso teve um resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias,” diz Andrade-Santos.

As deformidades foram identificadas nos otólitos sagitais, estruturas que desempenham um papel crucial no equilíbrio e percepção sonora dos peixes. O Stellifer naso vive em áreas de águas rasas e está em contato direto com sedimentos que contêm rejeitos da mineração, aumentando sua exposição a contaminantes.

A pesquisa ressalta que não é possível estabelecer uma relação causal definitiva entre as deformidades e o rompimento da barragem, uma vez que não existem amostras anteriores a 2015 para comparação.

Andrade-Santos enfatiza a necessidade de financiamento para coleções biológicas de referência e a importância de estudos contínuos sobre impactos ambientais. A equipe planeja análises químicas das amostras para identificar minerais acumulados e pretende monitorar a região nos anos seguintes para avaliar os sinais de recuperação do ecossistema.

“O estudo reforça a necessidade de diálogo entre ciência e sociedade para garantir a segurança do ecossistema e da população local”, acrescenta Andrade-Santos.

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