Sábado, 04 de julho de 2026

Estudo revela que zona norte do Rio é a mais quente da cidade

Um estudo recente revelou que a zona norte do Rio de Janeiro registra as maiores temperaturas da superfície terrestre, refletindo as consequências da urbanização e da falta de áreas verdes.

Estudo revela que zona norte do Rio é a mais quente da cidade
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A zona norte da cidade do Rio de Janeiro apresenta os mais elevados índices de temperatura da superfície terrestre, segundo um estudo encomendado pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaema). A pesquisa analisou a evolução das ilhas de calor na cidade ao longo dos últimos 25 anos, entre 2001 e 2025.

Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a pesquisa oferece subsídios para um inquérito civil que acompanha medidas compensatórias ambientais na capital e fornece informações técnicas para o Ministério Público na implementação de políticas que visem a adaptação às mudanças climáticas.

Realizado pelo Laboratório Integrado de Geografia Física Aplicada e o Departamento de Geografia da UFRRJ, o estudo apresenta um mapeamento inédito da temperatura da superfície terrestre, da cobertura vegetal e das áreas construídas no município do Rio de Janeiro durante o período analisado.

Os dados foram organizados por bairros e regiões administrativas, possibilitando a identificação das áreas mais vulneráveis à formação de ilhas de calor urbanas, fenômeno comum em locais com solo impermeável, escassez de vegetação e intensa urbanização.

A análise revelou um aumento significativo da temperatura em todas as áreas de planejamento da cidade nos últimos 25 anos. A maior parte da zona norte, que registrou temperaturas médias de 42,3°C em 2025, se destaca como a região mais quente da cidade neste século. Os pesquisadores associam essa situação à alta urbanização, baixa cobertura verde e áreas impermeabilizadas.

No verão, localidades como Vila da Penha, Higienópolis, Jacaré e Del Castilho registraram temperaturas da superfície terrestre chegando próximo a 47°C. Outras áreas na zona norte chegaram até 50°C. Em contrapartida, a zona sul da cidade permaneceu com temperaturas amenas, em torno de 25°C, favorecida pela presença de mais áreas verdes e pela influência do Maciço da Tijuca.

O estudo também alerta para as zonas oeste e sudoeste, que concentram importantes frentes de expansão urbana e precisam de monitoramento constante, já que novos empreendimentos podem agravar a formação de ilhas de calor se não houver planejamento ambiental adequado.

Essa pesquisa permitirá ao Gaema focar em áreas vulneráveis ao aquecimento urbano e avaliar políticas públicas e medidas compensatórias voltadas à preservação ambiental. Entre as ações recomendadas estão a ampliação da arborização urbana e a preservação de unidades de conservação, que são essenciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas nas áreas mais afetadas da cidade.

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