O Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) irá analisar nesta quinta-feira (12) o pedido da Vale para o reaproveitamento de rejeitos de minério de ferro no Complexo Minerário de Itabira. A proposta inclui intervenções em barragens, diques, cavas e outras estruturas, e gera discussões sobre possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos.
O processo administrativo foi protocolado pela mineradora em outubro de 2025, prevendo intervenções em uma área de 810,35 hectares, já licenciada para atividades minerárias. O projeto estima movimentar 5,81 milhões de metros cúbicos de material por ano oriundo de barragens e 5 milhões de toneladas anuais de pilhas de estéril.
A proposta foi novamente analisada pelos conselheiros do Codema após um pedido de vista na reunião passada, ocorrida em fevereiro, aumentando o prazo de avaliação dado à complexidade e ao impacto significativo que pode ter para o município.
A presidente da OAB Itabira, Patrícia de Freitas, apresentou um parecer técnico sobre o projeto. Apesar de favorável, ela ressalta a necessidade de medidas preventivas devido aos riscos envolvidos, como a remoção de 16,8 milhões de toneladas de material nos diques e dragagens de até 7 milhões de metros cúbicos nas barragens.
O relatório indica que o projeto pode gerar emissões de poeira, ruído e vibração, afetando diretamente áreas residenciais próximas. Há uma necessidade de compatibilidade da operação com a rotina urbana, especialmente em bairros como Bela Vista e Nova Vista.
Outro ponto destacado no parecer é o aumento do tráfego de caminhões para a execução do projeto, que é estimado em 413 viagens diárias entre 2028 e 2031, o que requer um planejamento logístico para minimizar impactos nas comunidades.
Por outro lado, o Sindicato Metabase demonstrou apoio ao reaproveitamento, embora tenha solicitado esclarecimentos sobre o cronograma do projeto e os impactos logísticos. O sindicato vê o reaproveitamento de rejeitos como um passo em direção à mineração circular, o que pode resultar em benefícios econômicos significativos para a região.
As discussões sobre a transparência e a participação social no licenciamento ambiental também foram levantadas, com apoio à realização de reuniões com moradores nas áreas afetadas, antes do início das atividades mais intensas do projeto.
A decisão final do Codema deverá considerar todos os pareceres técnicos e manifestações de entidades.

























