A ArcelorMittal de João Monlevade alcançou um marco significativo ao completar seis meses consecutivos sem enviar resíduos industriais para aterros. Essa conquista é resultado de práticas de economia circular, que possibilitaram à planta a reutilização total dos materiais gerados durante suas operações.
O Índice de Aterramento (IA), que mede a quantidade de resíduos enviados aos aterros, caiu de 1,75%, registrado em 2021, para zero. Além disso, o estoque acumulado de resíduos na fábrica foi reduzido em 90%, resultando em melhorias na eficiência operacional e redução de custos relacionados ao transporte e à destinação dos resíduos.
Gustavo Carvalho, gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal Longos, explica que o processo começou com a revisão das rotas de destinação e a implementação de soluções para materiais que ainda eram enviados a aterros. O foco foi integrar esses resíduos a aplicações industriais, coprocessamento e uso em infraestrutura.
Dentre as ações realizadas, destaca-se a reciclagem de lixo comum e resíduos não recicláveis, que, desde 2025, passam por um processo de trituração e são combinados com sobras industriais provenientes da estação de reuso de água. O resultado é um Combustível Derivado de Resíduos (CDR), utilizado por cimenteiras locais como substituto ao coque nos fornos de clínquer.
Impacto Regional
As iniciativas adotadas pela ArcelorMittal têm um impacto que vai além dos muros da usina. Resíduos da construção civil gerados na planta são processados na Planta de Beneficiamento de Escória e transformados em agregado siderúrgico, que é utilizado na pavimentação e conservação de estradas em municípios vizinhos, como Bela Vista de Minas. Até o momento, 100 mil toneladas deste material foram doadas a prefeituras, hospitais públicos e entidades parceiras.
Além disso, no primeiro trimestre de 2026, a unidade começou a testar um projeto de compostagem utilizando restos de alimentos do restaurante industrial, visando a produção de adubo orgânico.
Fabiano Cristeli de Andrade, diretor das operações da Usina de Monlevade e da Mina do Andrade, ressalta que o projeto ultrapassa a questão ambiental. Ele afirma: “Mais do que eliminar o envio de resíduos para aterros, buscamos transformar materiais que eram vistos como passivos em novos insumos para outras cadeias produtivas. O resultado combina ganhos ambientais, eficiência operacional e geração de valor para a empresa e para a sociedade.”























