Terça, 21 de abril de 2026

Pesquisa revela que 90% dos estudantes LGBTI+ sofreram agressões verbais nas escolas

Pesquisa revela que 90% dos estudantes LGBTI+ sofreram agressões verbais nas escolas
© Gregory Rodrigues/SCOM ALIANÇA LGBTI+

Uma pesquisa recente revelou que nove em cada dez estudantes LGBTI+ afirmaram ter sido vítimas de agressão verbal em 2024. Este estudo, conduzido pela Aliança Nacional LGBTI+ em parceria com o Instituto Unibanco, foi apresentado nesta quarta-feira (16) na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília.

O diretor da Aliança, Toni Reis, afirmou que a definição de bullying homofóbico se refere à intimidação sistemática, que muitas vezes inclui atos de humilhação e discriminação. Ele destacou a necessidade de políticas públicas que promovam uma convivência harmoniosa nas escolas, enfatizando que “o bullying no nosso país é estrutural”.

“Precisamos trabalhar isso com uma política pública estrutural, não como doutrinação, mas como convivência harmoniosa e democrática”.

Dados da Pesquisa Nacional

O questionário foi respondido por 1.349 estudantes da educação básica e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e focou nas respostas de 1.170 participantes que se identificam como LGBTI+.

Insegurança e Violência

Do total, 86% dos entrevistados relataram insegurança na escola devido a características pessoais, sendo que esse número aumenta para 93% entre estudantes trans/travestis. Além disso, 34% já foram vítimas de violência física.

  • Meninos que não se encaixam nos padrões de masculinidade: 59%
  • Estudantes gays, lésbicas, bissexuais ou assexuais: 49%
  • Meninas que não se encaixam nos padrões de feminilidade: 40%

Agressões e Agressoras

Além das agressões por colegas, 34% dos estudantes relataram que educadores também foram responsáveis por agressões verbais e bullying. Elis Gonçalves, mãe de um estudante trans, enfatizou a gravidade da situação quando os educadores se tornam agressores.

“Quando o professor ou o diretor é o agressor, é pior. Ele está dizendo para os outros: está liberado o bullying”.

Apoio e Saúde Mental

A pesquisa indicou que 94% dos estudantes LGBTI+ se sentiram deprimidos, e 31% procuraram ajuda da escola, mas apenas 31% relataram que alguma ação foi tomada, com 86% avaliando as medidas como ineficazes.

Evasão Escolar

O estudo aponta um risco elevado de evasão escolar, principalmente entre estudantes trans, onde 57% faltaram ao menos um dia devido à insegurança. Toni Reis pediu melhoria nas políticas educacionais para garantir ambientes mais seguros.

Com base nas informações, a pesquisa concluiu que é fundamental criar espaços de diálogo e medidas efetivas para combater a violência e a discriminação nas escolas.

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