Projetos que atuam na linha de frente contra a violência de gênero em regiões remotas e comunidades tradicionais foram os grandes destaques da primeira edição do prêmio Antes que Aconteça. A iniciativa, fundamentada na Lei 15.398, reconheceu práticas de prevenção em todo o país durante cerimônia realizada em Brasília, com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
A força da resistência no Rio Negro
Entre as homenageadas está Cleocimara Reis Gomes, coordenadora das Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro. Moradora da comunidade de Cartucho, no Amazonas, ela percorre quatro dias de barco para levar informação a cerca de 100 comunidades de 23 povos diferentes. Segundo a coordenadora, o isolamento geográfico mascara índices alarmantes de agressões físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais.
Para ela, a missão é desconstruir a ideia de que o abuso é algo naturalizado. “É importante que a mulher indígena saiba que não pode viver em cenário de violência”. Sobre a complexidade dos casos, Cleocimara destaca: “Tem violência física, sexual, psicológica e patrimonial. Tanto de invasores das terras, como de homens indígenas. Mas as denúncias demoram a chegar por causa das distâncias entre as comunidades”.
Foto Valter Campanato/Agência Brasil
Apoio a mulheres da pesca e mariscagem
Na Bahia, a Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix foi premiada na categoria Justiça que acolhe mulheres. O projeto, liderado por Cátia Chagas, oferece suporte multidisciplinar para cerca de 600 mulheres, muitas delas mães solo que dependem da pesca no Rio Paraguaçu.
“São pessoas muito humildes, vítimas de violência. Às vezes, elas ficam envergonhadas de falar. Nós buscamos promover atendimentos diversos, inclusive psicológicos e médicos, além de capacitação para elas”, explica Cátia, que buscou formação em direito e psicologia para estruturar o acolhimento na região.
Proteção de territórios quilombolas
O reconhecimento também alcançou o projeto Dandara, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que leva escuta cidadã e capacitação a 500 mulheres quilombolas. A iniciativa aborda um tipo específico de vulnerabilidade: a violência territorial.
Ana Beatriz Bernardes Nunes, presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, ressalta que as mulheres são as guardiãs das terras e da biodiversidade, o que as coloca em situação de risco constante. “As mulheres quilombolas, em sua grande maioria, são as maiores e principais administradoras dos territórios, e passam a cuidar da biodiversidade. Por isso, estão muito ameaçadas”, afirma.
Foto Valter Campanato/Agência Brasil
O programa Antes que Aconteça distribuiu financiamentos entre R$ 50 mil e R$ 200 mil para oito categorias premiadas, visando fortalecer o braço preventivo das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Com informações Agência Brasil
























