Sexta, 30 de outubro de 2026

Escola tradicional de Belo Horizonte sofre esvaziamento e gera temor

Comunidade escolar do bairro Concórdia questiona transferência de alunos e aponta interesses imobiliários na mudança de perfil da instituição.
Familiares contestam transferência de alunos em escolas do bairro Concórdia

Revolta e insegurança no bairro Concórdia

A alteração na dinâmica de duas instituições de ensino vizinhas na região Nordeste de Belo Horizonte tem gerado forte apreensão entre familiares de estudantes das séries iniciais. A situação foi acompanhada de perto pela deputada Beatriz Cerqueira, presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, durante inspeção realizada nas dependências escolares.

Redução gradual de turmas

Apesar dos protestos da comunidade, a administração municipal tem suprimido progresivamente as turmas da Escola Municipal Américo René Giannetti com o objetivo de convertê-la, no próximo ano, em uma unidade voltada exclusivamente para a educação infantil, atendendo crianças de até cinco anos de idade. Com sete décadas de história, o local funcionava historicamente como base para a alfabetização até o terceiro ano do ensino fundamental.

Conforme relatos da diretora da unidade, o processo de supressão ocorreu de forma escalonada nos últimos anos, atingindo diferentes séries. Os estudantes que deveriam dar continuidade aos estudos no local estão sendo redirecionados para a Escola Municipal Hugo Pinheiro Soares, situada ao lado, que tradicionalmente recebe alunos até o nono ano.

Preocupação com a convivência e estrutura

Pais e responsáveis manifestam receio quanto à integração entre crianças pequenas e adolescentes no mesmo espaço físico. Enquanto a unidade René Giannetti contava com adaptações específicas para a primeira infância, a escola receptora possui perfil voltado para um público mais velho.

A gestão da escola que recebe os novos alunos explicou que foram adotadas medidas de separação por turnos e divisão de recreios para mitigar os impactos da convivência entre faixas etárias distintas, além de utilizar imóveis alugados para atividades extracurriculares.

Suspeitas de interesses imobiliários

Além das questões pedagógicas, parte da comunidade escolar levantou suspeitas de que o esvaziamento da instituição possa estar associado a interesses do setor imobiliário, impulsionados por recentes normativas de requalificação urbana na capital. A parlamentar responsável pela visita apontou que estratégias semelhantes já foram observadas em outras redes de ensino e anunciou que o caso será debatido em audiência pública com a participação de órgãos de proteção e defesa dos direitos da infância.

Com informações ALMG

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