Terça, 27 de outubro de 2026

Ausência de autoridades trava debate sobre fechamento da Juca Pinto

Secretário de Educação e comandante da PM não compareceram à audiência na ALMG que discutia a conversão da escola em unidade militar
Secretaria de Educação e PM não comparecem à audiência sobre fechamento da E.E. Juca Pinto

A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) precisou suspender, nesta segunda-feira (26/10/26), uma audiência pública que debateria a desativação da Escola Estadual Coronel Juca Pinto, na região Noroeste de Belo Horizonte. O encontro, que tinha como pauta a transformação da unidade em um colégio da Polícia Militar, foi esvaziado pela ausência do secretário de Estado de Educação, Daniel Guimarães Medrado de Castro, e da comandante-geral da Polícia Militar, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, que não enviaram justificativas.

Impasse e críticas à gestão estadual

Diante das cadeiras vazias destinadas aos representantes do governo, a presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), optou pelo cancelamento da sessão e pela convocação de uma nova data para o debate. A parlamentar criticou duramente a postura dos gestores. “Eles se acovardaram. Se a proposta é boa a gente defende. Se houvesse transparência eles viriam. Essa era a oportunidade para que o governo defendesse a proposta e esclarecesse”, disse a deputada.

O Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Promotoria de Defesa da Educação, também foi convidado. O promotor Felipe Faria de Oliveira declinou do convite, mas por uma estratégia jurídica: ele já move uma ação contra o Estado visando manter o funcionamento da instituição. Conforme explicou a deputada, o promotor “Achou melhor não comparecer porque poderia prejudicar a medida tomada”, reforçando a resistência judicial contra o fechamento.

Incertezas para alunos e servidores

O clima entre as famílias é de apreensão, especialmente pela falta de alternativas próximas para a transferência dos cerca de 300 alunos. A Secretaria de Estado de Educação já determinou a suspensão de novas matrículas e o encerramento das atividades escolares em 31 de dezembro. A situação também atinge 53 servidores terceirizados, que perderão seus postos, enquanto professores efetivos já foram orientados a buscar outros colégios.

Para a comunidade, a substituição pelo modelo militar levanta questões sobre a exclusão social. O Colégio Tiradentes prioriza dependentes de militares e exige processo seletivo, além de não oferecer o ensino técnico e o modelo de tempo integral com quatro refeições diárias, diferenciais hoje garantidos pela Juca Pinto.

Impacto na comunidade escolar

A representante dos pais, a atriz Cristiane Oliveira, questionou a viabilidade das promessas feitas por oficiais da PM, como o auxílio para compra de uniformes e material escolar. “Não há lei para isso, quem vai pagar?”, indagou. Ela ressaltou que a luta não é por privilégios, mas pela continuidade de um projeto pedagógico consolidado há 59 anos: “Não queremos migalhas, a gente quer o colégio do jeito que ele é”.

Entre os depoimentos mais dramáticos, o de Marinalva Pereira de Souza, mãe de um aluno autista, ilustrou o impacto da mudança. Ela relatou o desenvolvimento do filho em três anos de ensino integral e a angústia de não ter onde encontrar suporte equivalente. “Vai ser um abalo emocional para ele e um transtorno para mim”, desabafou.

Foto: Willian Dias

Com informações ALMG

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