Apesar de o Brasil contar com doses suficientes para toda a população infantil, a vacinação contra a covid-19 enfrenta um cenário crítico: somente 5% das crianças pequenas receberam o esquema completo de três doses. Em 2026, o coronavírus já foi responsável por mais de 1 mil internações e 25 mortes entre crianças e adolescentes no país, evidenciando o perigo da baixa cobertura vacinal.
O impacto das fake news na saúde pública O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, aponta que o baixo índice é um reflexo direto dos ataques sistemáticos sofridos pelos imunizantes durante a pandemia. Segundo o gestor, o desincentivo à vacinação, que incluiu falas de autoridades como o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou uma hesitação vacinal que perdura.
“Tem que pôr na conta de quem de fato deve. A gente compra as vacinas, distribui e cumpre nossa obrigação constitucional, só que há o desincentivo da população para se vacinar. Inclusive, qualquer vacina de covid que é perdida hoje, a culpa é do discurso antivacina. E essa cifra tem que ser colocada na mesa.”
Segurança comprovada e monitoramento contínuo Eder Gatti reforça que o medo de efeitos colaterais é infundado e que os imunizantes passaram por rigorosos processos de aprovação. “De fato, a gente teve inovações com as plataformas de RNA mensageiro e vetor viral [tecnologias usadas nas vacinas de covid-19], mas todas as vacinas passaram pelos testes de fase um, dois e três, e, desde então, há uma série de estudos de fase quatro mostrando tanto a efetividade quanto a segurança”, explica.
Sobre o rigor científico que cerca os imunizantes, o diretor destaca: “Se você procurar os trabalhos científicos sobre a vacina tríplice viral, que veio nos anos 80, você vai encontrar uns 5 mil. Se você pegar a vacina da febre amarela, que é da década de 30, vai ser a mesma coisa. Mas se você procurar sobre a vacina da covid, você vai ter 20 mil trabalhos científicos. A gente pode dizer que essa é a vacina mais estudada de todas”.
Desafios e avanços no calendário vacinal Embora a vacina contra a covid-19 enfrente resistência, o PNI tem registrado avanços em outras frentes. Com o orçamento do programa quase dobrando, atingindo a marca de R$ 10 bilhões previstos para o próximo ano, houve uma melhora na cobertura de diversas vacinas do calendário básico. O foco agora é o microplanejamento para que municípios otimizem a aplicação das doses.
A importância da adesão às campanhas de vacinação vai além da proteção individual. “A gente está falando não só de vidas salvas, mas de menos ocupação do sistema de saúde. O Programa Nacional de Imunização traz retorno à sociedade e deve ser muito preservado”, defendeu Gatti.
Mesmo diante de desafios como a introdução da vacina da dengue e a atualização da vacina pneumocócica, o Ministério da Saúde segue trabalhando para fortalecer a confiança pública. Sobre o futuro das políticas de imunização, o diretor do PNI conclui: “Esses produtos foram incorporados seguindo todos os trâmites formais e necessários, com orçamento garantido. Mas não foi fácil, nós tivemos que negociar muito. A gente espera que não tenha retrocesso e que o PNI continue honrando com a sua história, porque já são mais de 50 anos trazendo bons resultados para o país”.
Com informações Agência Brasil























