Embora compartilhem o solo mineiro e uma rica tradição literária, Itabira e Divinópolis possuem realidades políticas que não se cruzam. Enquanto a primeira enfrenta dificuldades crônicas para emplacar representantes, a segunda consolidou um poderio eleitoral expressivo, evidenciando um abismo na representatividade regional.
Diferenças históricas e geográficas A distinção entre as duas cidades começa na própria origem de seus nomes. Divinópolis presta homenagem ao Espírito Santo, remetendo ao dogma cristão da Santíssima Trindade. Já Itabira tem sua etimologia ligada à hematita, a valiosa pedra brilhante que define sua identidade. Geograficamente, as cidades ocupam posições distintas: Itabira está encravada nas montanhas do Centro-Leste mineiro, enquanto Divinópolis se firma como a capital informal do Centro-Oeste, com uma população de 243 mil habitantes — quase o dobro da vizinha de Mato Dentro.
O contraste no desempenho eleitoral A disparidade torna-se evidente ao analisar o comportamento das urnas. Nas eleições recentes, Itabira falhou em eleger deputados, apesar de contar com quase 90 mil eleitores aptos. Mesmo com diversos candidatos locais, a cidade não conquistou cadeiras na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. Sobre esse cenário, o autor pondera: Veja o resultado final de tamanha “epopeia”. Mesmo com quase 90 mil votantes, os políticos da terra do Poeta Maior não conquistaram uma mísera cadeira na Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. E ponto.
A força política de Divinópolis Em contrapartida, Divinópolis apresenta um resultado eleitoral robusto, garantindo ao município governante, senador e uma bancada de deputados. A lista de eleitos inclui:
Governador: Cleitinho Azevedo Senador: Domingos Sávio (foi vereador e prefeito da cidade) Deputados federais: Ana Elisa (PT), Lohanna França (PV), Gleide Andrade (PT) e Gleidson Azevedo (Republicanos). Deputado Estadual: Eduardo Azevedo (PL)
O elo literário Apesar do distanciamento político, as cidades se encontram na literatura. Itabira é o berço de Carlos Drummond de Andrade, enquanto Divinópolis é a terra de Adélia Prado. A conexão entre ambos é histórica, marcada por diálogos poéticos memoráveis. No “Poema de Sete Faces” (1930), um gauche na vida se apresentou ao mundo: “Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: vai, Carlos, ser gauche na vida”. Décadas depois, Adélia respondeu em “com licença poética” (1976): “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira, carga muito pesada para mulher, esta espécie ainda envergonhada”.
Conclusão A comparação entre as duas cidades serve como um termômetro da eficácia política. Enquanto Divinópolis celebra uma vitória eleitoral completa, Itabira permanece em um hiato de representatividade que, para muitos observadores, exige uma reflexão profunda sobre como a cidade se organiza para o pleito.
Fonte: Defatoonline























