Terça, 22 de setembro de 2026

Sertep amplia atendimento com tecnologia de ponta para triagem do autismo

Adesão ao sistema AURA-T busca acelerar a identificação de sinais de TEA e outras neurodivergências e dar mais suporte à avaliação dos profissionais
Sertep passa a utilizar o sistema AURA-T para apoiar a triagem precoce de sinais do autismo – Foto: Cid Miranda

O Sertep – Núcleo de Neurodiversidade de Ipatinga, passa a utilizar o sistema AURA-T, ferramenta desenvolvida pela healthtech brasileira Braine para apoiar a triagem precoce de sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outras neurodivergências. A iniciativa amplia os recursos disponíveis pela instituição e busca reduzir o tempo entre a identificação de possíveis sinais e o encaminhamento para uma avaliação clínica especializada.

Desenvolvido a partir de pesquisas realizadas na Universidade de São Paulo (USP), o AURA-T — Autism Universal Rapid Assessment Tool — utiliza inteligência artificial em uma plataforma digital de teletriagem. Segundo as informações disponibilizadas sobre a tecnologia, o sistema pode reduzir em até 80% o tempo necessário para o direcionamento à investigação diagnóstica e apresenta precisão de 86% em validações realizadas com especialistas.

A proposta é oferecer aos profissionais um recurso complementar durante as primeiras etapas da investigação. O sistema reúne informações e sinais observados, organiza os dados e produz um relatório estruturado com referências em critérios científicos internacionais, incluindo o DSM-5-TR e a CID-11. O resultado não representa, por si só, um diagnóstico de autismo. A conclusão diagnóstica continua dependendo da avaliação de profissionais habilitados, como médicos e neuropsicólogos.

Tecnologia como apoio ao atendimento

A chegada do AURA-T ocorre em um momento de expansão da assistência oferecida pelo Sertep, que mantém atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a crianças e adolescentes neurodivergentes. O núcleo reúne profissionais de diferentes áreas, entre elas fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, terapia ocupacional, fisioterapia e assistência social, em uma proposta de acompanhamento multidisciplinar.

A instituição também vem ampliando sua presença regional com a implantação de novos polos de atendimento. Em Ipatinga, o trabalho já alcançou uma marca superior a 7 mil atendimentos terapêuticos gratuitos por mês, considerando as diferentes sessões realizadas pelos pacientes nas diversas especialidades.

Nesse contexto, a utilização de uma ferramenta voltada à triagem pode contribuir para organizar o fluxo de atendimento, especialmente em situações nas quais há suspeita de alterações do desenvolvimento e necessidade de direcionamento para uma investigação mais detalhada.

O sistema também foi desenvolvido com mecanismos voltados à proteção de dados, seguindo parâmetros da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e referências internacionais de segurança da informação em saúde. A proteção é especialmente relevante em processos que envolvem informações pessoais e dados relacionados ao desenvolvimento e à saúde de crianças e adolescentes.

Da suspeita ao encaminhamento

A identificação precoce de sinais relacionados ao TEA pode representar uma etapa importante para que a criança seja encaminhada aos serviços adequados. Na prática, porém, a investigação pode envolver diferentes profissionais, avaliações e etapas até que seja possível chegar a uma conclusão clínica.

É justamente nesse percurso que o AURA-T pretende atuar. A ferramenta não substitui a observação clínica nem elimina a necessidade de avaliação especializada. Seu papel é reunir informações, identificar padrões e oferecer aos profissionais um material organizado que possa auxiliar na tomada de decisão e no encaminhamento dos casos.

Para a psicopedagoga e coordenadora da equipe terapêutica do Sertep, Ednéa Silveira Carvalho, a implementação do AURA-T é um avanço relevante para a qualificação dos processos de triagem, avaliação, acompanhamento e construção de planos terapêuticos  individualizados (PTI´s) pautados em uma abordagem humanizada. “A utilização do AURA-T  favorece uma maior integração entre os diferentes setores e profissionais da saúde, proporcionando o compartilhamento estruturado de informações e contribuindo para a construção de estudos de caso com dados mais consistentes, organizados e confiáveis. Outro aspecto relevante é a possibilidade de ampliar a participação da família e da escola no processo terapêutico. O AURA-T poderá facilitar a compreensão dos familiares e da equipe escolar sobre os objetivos terapêuticos e contribuir para a evolução do paciente”, pontua a coordenadora.

Com a adesão ao AURA-T, o núcleo acrescenta ao trabalho multidisciplinar uma ferramenta tecnológica voltada justamente para uma das etapas mais sensíveis desse processo: reconhecer mais rapidamente os sinais que podem indicar a necessidade de uma investigação especializada e dar aos profissionais mais informações para conduzir os próximos passos.

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