Terça, 15 de setembro de 2026

Vereadores de Itabira pedem que Vale arque com custos da energia da ETA Rio Tanque

A discussão sobre a conta de energia da futura ETA do Rio Tanque levanta questões importantes na Câmara Municipal de Itabira.

Vereadores de Itabira pedem que Vale arque com custos da energia da ETA Rio Tanque
Foto: Divulgação/Saae

A conta de energia elétrica para colocar em funcionamento a futura Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio Tanque foi tema de discussão na Câmara Municipal de Itabira, na reunião ordinária desta segunda-feira (14). Durante a discussão do Projeto de Lei nº 85/2026, que reorganiza o quadro de cargos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), vereadores questionaram quem deverá arcar com o aumento das despesas provocado pela captação, bombeamento e tratamento da água captada durante os próximos anos.

Com a conclusão do sistema Rio Tanque, Itabira terá capacidade para receber até 600 litros de água por segundo, volume cerca de 50% superior à demanda atual do município. Parte dos parlamentares defende que a Vale participe do custeio da operação ou ofereça uma contrapartida capaz de reduzir o impacto financeiro para o município.

Durante a sessão, o vereador Bernardo Rosa (PSB) e o presidente Carlos Henrique Silva Filho “Carlin Sacolão Filho” (Solidariedade) questionaram diretamente quem deverá assumir a futura despesa adicional. Para eles, não seria adequado que um eventual aumento de custo decorrente da operação fosse simplesmente incorporado às despesas do Saae e, futuramente, pudesse chegar à população por meio da tarifa de água.

“A gente sabe que a Vale é responsável pelo rebaixamento do lençol freático, mas a pergunta que eu faço e que a gente precisa fazer é: quem vai pagar essa conta da energia? Vai ficar para a prefeitura pagar? Vai ficar para os consumidores? Vai ser repassado na conta de água? Como é que vai ficar isso?”, indagou Carlin, colocando a Vale como responsável pela situação.

A vereadora Jordana Madeira (PDT) também cobrou uma definição, defendendo que o Saae faça um levantamento detalhado do consumo previsto e dos custos da nova estrutura antes do início da operação. A partir desse diagnóstico, segundo ela, o município poderia discutir com a Vale uma forma de reduzir ou compensar a despesa.

Uma alternativa apresentada pela vereadora é a instalação de uma estrutura de geração de energia fotovoltaica para atender – total ou parcialmente – à demanda do sistema, como uma forma de reduzir o custo permanente da operação. Para Jordana, não basta considerar a participação da Vale na construção ou implantação do sistema, também é necessário pensar na sustentabilidade financeira da estrutura.

“A captação foi um investimento, mas a gente precisa agora da energia fotovoltaica para diminuir o custo no bolso de cada cidadão itabirano”, afirmou.

A discussão levou vereadores a defenderem uma reunião entre Câmara, Prefeitura, Saae e Vale para esclarecer como será financiada a operação do Rio Tanque. O vereador Marcelino Guedes (PSB) afirmou que o Legislativo deveria buscar uma resposta formal da mineradora sobre o assunto. Ele disse que a preocupação não se limita à energia elétrica, já que o funcionamento do sistema também envolverá equipamentos que precisarão de manutenção especializada.

O vereador Carlos Henrique, por sua vez, sugeriu que também seja discutida a forma como as fontes de água são utilizadas atualmente pelo município e pela Vale. A ideia é avaliar se uma reorganização dessa utilização poderia contribuir para reduzir custos ou melhorar a eficiência do sistema.

Já o vereador Rodrigo Diguerê (MSB) ponderou que, antes de cobrar uma contrapartida diretamente da Vale, a Câmara deveria ouvir o Saae e a Prefeitura para saber quais negociações já estão em andamento. Segundo ele, embora a preocupação com o aumento da despesa seja concreta, ainda não há uma definição sobre o valor que será acrescentado ao orçamento da autarquia nem sobre quem deverá assumir esse custo.

“É aquela diferença entre preocupação e problema. Nem toda preocupação vai virar um problema. Então, a gente tem uma preocupação hoje, mas o problema, a gente está antecipando algo que pode nem vir a acontecer”, disse.

Saae ainda estuda impacto na tarifa

Apesar das cobranças, ainda não existe definição de que o custo adicional do “projeto Rio Tanque” será repassado à tarifa de água. Em junho, o diretor-presidente do Saae, Valdeci Luiz Fernandes Júnior, já havia informado que a autarquia estudava o impacto da nova estrutura sobre as despesas operacionais. Segundo ele, seria necessário observar o funcionamento efetivo do sistema antes de calcular o aumento ou a redução dos custos.

Entre as medidas avaliadas pelo Saae estão ajustes nos horários de funcionamento, ações de eficiência energética e a redução ou desativação de estruturas que eventualmente deixem de ser necessárias com a entrada do Rio Tanque. A previsão informada anteriormente pela autarquia era concluir o estudo até o fim de 2026.

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