Sábado, 12 de setembro de 2026

Novas Diretrizes sobre Tratamento de Tireoide para Gestantes no Brasil

A presente atualização nas diretrizes sobre o tratamento da tireoide em gestantes traz recomendações significativas para o cuidado nesse grupo, visando otimizar a saúde materno-fetal.

Novas Diretrizes sobre Tratamento de Tireoide para Gestantes no Brasil
© Fotorech/Pixabay

Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e com funcionamento normal da tireoide não precisam mais usar medicamento hormonal. Três grandes estudos recentes comprovaram que o tratamento preventivo nesses casos não reduz os riscos de abortamento ou parto prematuro.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia mudaram as recomendações aos médicos para diagnóstico e tratamento das alterações da tireoide na gestação. As novas orientações baseiam-se em diretrizes publicadas pela Associação Americana da Tireoide em junho, quase uma década após a publicação das diretrizes anteriores.

A comunicação sobre essas alterações foi feita no Rio de Janeiro durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia. As novas diretrizes determinam que gestantes com anticorpos positivos não devem receber levotiroxina se a glândula estiver funcionando normalmente (níveis normais de T4).

Apesar dessa instrução, o funcionamento da glândula continuará a ser monitorado, pois há risco para o desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação.

O subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, Dr. Cleo Mesa Júnior, afirmou: ‘Se os hormônios TSH e T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício em usar levotiroxina apenas pela presença do anticorpo positivo.’

Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes da gravidez, a orientação é aumentar a dose do hormônio em cerca de 30% ao engravidar.

Rastreamento Precoce

O Brasil continuará a estratégia de rastreamento precoce de todas as gestantes desde o início da gravidez, para identificar quem realmente precisa de tratamento. Ao contrário das diretrizes internacionais, que sugerem rastreamento seletivo apenas em mulheres com fatores de risco, a abordagem brasileira prioriza o diagnóstico em todas as gestantes.

Hipotireoidismo Subclínico

Outra mudança importante é sobre o tratamento do hipotireoidismo subclínico, onde o TSH está elevado, mas o T4 livre é normal. O início do tratamento será focado no primeiro trimestre da gestação, já que o desenvolvimento do feto depende dos hormônios tireoidianos maternos nesse período.

Iodo e Suplementação

As diretrizes atuais também recomendam garantir uma ingestão adequada de iodo durante a gestação, aumentando a necessidade desse micronutriente. A suplementação deve ser individualizada, especialmente para mulheres em dietas restritivas ou que não consomem sal iodado.

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