Mais de uma década após o rompimento da barragem de Fundão, que ocorreu em novembro de 2015 e é considerado o maior desastre ambiental do Brasil, pescadores, marisqueiras e ribeirinhos do Espírito Santo relatam que ainda sofrem com os impactos da tragédia e a ausência de assistência adequada à saúde.
As informações foram divulgadas pelo portal Notícias Capixaba, após uma reunião da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), realizada em junho deste ano no Espírito Santo.
O desastre que atingiu a barragem, administrada pela Samarco — uma empresa controlada pela Vale e BHP Billiton — resultou na morte de 19 pessoas e na liberação de cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na Bacia do Rio Doce, afetando uma extensão de aproximadamente 600 quilômetros até o Oceano Atlântico.
Durante a reunião, pescadores e representantes de comunidades atingidas relataram que, apesar de acordos de reparação, ainda enfrentam dificuldades para serem reconhecidos como atingidos, obter indenizações e acessar cuidados médicos adequados.
“É um crime que se desdobra em três esferas: ambiental, social e econômica. Hoje, esses pescadores poderiam estar fornecendo alimentos para as escolas através do PNAE, mas não podem. Eles não podem pescar para vender, não podem consumir o próprio peixe e não recebem o amparo adequado desses recursos.” – Leleco Pimentel (PT), presidente da comissão.
Dentre as principais solicitações apresentadas, está a necessidade de implementação de programas permanentes de monitoramento da saúde das populações impactadas. João Carlos Gomes, presidente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes), destacou que o reconhecimento dos pescadores e a saúde deles continuam como prioridades. “Já se passaram dez anos desde a tragédia e não foi estabelecido um mecanismo para monitorar a saúde dos nossos pescadores ao longo desse período pós-desastre”, afirmou.
As lideranças mencionaram que muitos pescadores se encontram impedidos de exercer sua atividade plenamente devido às restrições ambientais ainda em vigor, enquanto aguardam soluções efetivas de reparação. Mesmo com novos investimentos públicos na área da saúde, comunidades acreditam que a reparação integral dos danos causados pela tragédia ainda está longe de ser alcançada.


























