A Vale passa por um novo episódio de tensão em sua estrutura de governança corporativa. Conforme apuração da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e um dos principais acionistas da companhia, pediu a substituição de Daniel Stieler no cargo de presidente do Conselho de Administração da mineradora.
Na proposta da Previ está a indicação do conselheiro independente português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para assumir a liderança do colegiado. Além disso, o ex-presidente da Previ, José Maurício Pereira Coelho, seria indicado para a vaga atualmente ocupada por Stieler no conselho.
Segundo a coluna, essa iniciativa surgiu devido a um acúmulo de insatisfações entre os acionistas de referência da Vale, que incluem, principalmente, as críticas ao desempenho de Daniel Stieler, que ocupa o Conselho de Administração desde 2021.
Um ponto adicional de desconforto apontado por fontes diz respeito à concentração excessiva de poder nas mãos do atual presidente do conselho. Reporta-se que nenhuma indicação para cargos de diretoria da mineradora seria efetivada sem a aprovação prévia de Stieler, o que teria causado desgaste entre acionistas significativos.
Esse movimento ocorre em um momento delicado, uma vez que o mandato de Daniel Stieler termina apenas em abril de 2027. Fontes indicam que a intenção de promover sua substituição já existia desde a saída de João Fukunaga da presidência da Previ, ocorrida em outubro do último ano.
Além disso, é mencionado que a decisão da Previ não teria ocorrido por influência direta do governo federal. Entretanto, a direção do Banco do Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teriam sido previamente informados sobre a movimentação, a qual receberam de forma favorável. Outros acionistas importantes, como a Bradespar, também estariam cientes.
Por último, circula entre as partes envolvidas a informação de que Daniel Stieler estaria, ainda que discreta, atuando em favor de uma possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da república. Esta movimentação é tema de discussões internas que seguem o cenário político e corporativo envolvendo a mineradora.
Esse episódio mais uma vez evidencia as disputas internas e divergências entre acionistas relevantes da Vale, ressaltando os desafios enfrentados em sua governança e na condução estratégica de uma das maiores empresas de mineração do mundo.


























