Terça, 19 de maio de 2026

Bactérias detectadas na água da Maternidade Odete Valadares em BH

Bactérias detectadas na água da Maternidade Odete Valadares em BH
Foto: Reprodução/Fhemig

A presença de bactérias foi identificada em pontos da rede de água da Maternidade Odete Valadares, localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A informação foi confirmada pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) após denúncias de servidores da unidade. Os exames realizados em abril revelaram a presença de Pseudomonas aeruginosa e de bactérias heterotróficas em alguns pontos do imóvel.

A maternidade, que é referência em atendimentos de alto risco e conta com uma Unidade de Terapia Intensiva neonatal, suscita preocupações entre os trabalhadores sobre a qualidade da água. A Fhemig informou, em nota, que foi realizada a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade. Além disso, foram executadas as demais ações previstas em um plano de correção.

O órgão também afirmou que não foram registrados sintomas gastrointestinais entre os servidores e que não foram identificadas infecções hospitalares nos meses de abril e maio. A Fhemig acrescentou que continuará monitorando a qualidade da água da maternidade.

A Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria comumente encontrada em ambientes, incluindo água e solo, exige atenção especial em unidades de saúde, pois pode causar infecções em pessoas internadas, especialmente aquelas com maior vulnerabilidade clínica. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos ressalta que as infecções por esse tipo de bactéria ocorrem frequentemente em ambientes de assistência à saúde e podem ser desafiadoras para o tratamento, especialmente diante da resistência a antibióticos.

As bactérias heterotróficas servem como indicador geral da qualidade bacteriológica da água. A contagem acima dos parâmetros permitidos pode indicar falhas de desinfecção, acúmulo de matéria orgânica ou condições propícias à proliferação de microrganismos no sistema. O manual da Fundação Nacional de Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde, recomenda que a contagem padrão dessas bactérias não ultrapasse 500 unidades formadoras de colônia por mililitro de amostra.

O Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde-MG) informou que servidores relataram não terem recebido comunicação oficial por parte da direção da unidade sobre a situação. A entidade afirmou que enviou pedidos de esclarecimento à Fhemig, à Secretaria de Estado de Saúde e às vigilâncias sanitárias municipal e estadual.

Dentre as questões levantadas pelo sindicato estão o acesso aos laudos técnicos, a descrição das medidas adotadas e a investigação sobre possíveis impactos em pacientes durante o período analisado. A entidade enfatiza que o caso deve ser tratado com transparência, dado o perfil da maternidade.

Até o momento, a Fhemig mantém que não houve registros de ocorrências entre pacientes e trabalhadores. No entanto, o caso ainda depende da divulgação dos laudos, dos resultados de novas análises da água e das respostas dos órgãos de vigilância sobre as providências adotadas.

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