Domingo, 10 de maio de 2026

Desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia se intensifica nas redes sociais

Desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia se intensifica nas redes sociais
© Paulo Pinto/Agência Brasil

O Projeto de Lei da Misoginia se tornou o centro de uma ofensiva de desinformação nas redes sociais, coordenada por políticos de direita, conforme aponta um estudo do Observatório Lupa. A pesquisa identificou narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos gerados com inteligência artificial visando atacar o PL que foi aprovado pelo Senado em março deste ano.

Entre 24 de março e 30 de abril de 2026, os pesquisadores coletaram mais de 289 mil publicações no X. Além disso, analisaram 6,3 mil posts no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads.

A partir desse conjunto de dados, o observatório identificou picos de desinformação, tendências narrativas e padrões de comportamento nas plataformas digitais. O projeto em discussão no Congresso é o PL 896/2023, que define misoginia como “a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres”.

Se aprovado pela Câmara sem alterações, o texto passará a incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas consideradas misóginas.

De acordo com o Observatório Lupa, o principal pico de engajamento na campanha de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação da proposta no Senado, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Neste vídeo, o parlamentar associou o PL da Misoginia a trechos de outro projeto de lei, o PL 4224/2024, que traria diretrizes sobre a Política Nacional de Combate à Misoginia, mas não fazia parte do texto aprovado.

O levantamento mostra que a publicação atingiu ao menos 751 mil visualizações em apenas 24 horas. O vídeo foi posteriormente removido e republicado sem o trecho relacionado ao outro projeto.

O estudo também indica que uma das principais narrativas disseminadas é a de que o projeto limitou a liberdade de expressão e poderia ser usado para “perseguir a direita”. Outro boato recorrente dizia que questionar uma mulher sobre TPM poderia resultar em prisão.

As publicações mais virais sobre o PL da Misoginia exploram o medo como motor de engajamento.

Pesquisadores apontaram que conteúdos falsos também alegaram que a proposta causaria “demissões em massa” de mulheres ou criminalizaria partes da Bíblia. A pesquisa identificou o uso de inteligência artificial na criação de vídeos com supostas consequências do projeto, como as publicações que diziam que empresários estariam demitindo mulheres para evitar processos legais relacionados à futura legislação.

Entre os indivíduos mais influentes na circulação desse conteúdo, destacam-se Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório também notou o aumento de termos ligados à cultura misógina, como o conceito de “redpill”, que retrata o projeto como uma ameaça aos homens.

Além disso, foram observadas menções cômicas a aplicativos de transporte, que sugeriam o medo de acusações falsas em interações do dia a dia.

Os pesquisadores afirmam que as postagens distorcem o verdadeiro foco do projeto, que busca combater práticas de discriminação que geram “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” em razão do gênero.

Ao ignorar esse contexto, as postagens distorcem o debate e ampliam a desinformação.

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