Sábado, 12 de setembro de 2026

Como o tratamento com cannabis medicinal transformou a vida de uma família mineira

O tratamento com cannabis medicinal tem proporcionado uma nova qualidade de vida para famílias, como a de Maria Isabel, que viu sua rotina transformada em Alfenas, Minas Gerais.

Como o tratamento com cannabis medicinal transformou a vida de uma família mineira
Foto: Arquivo Pessoal

A rotina que antes era marcada por crises de agressividade, agitação e isolamento familiar deu lugar a encontros, viagens e momentos de convivência. Perto do Dia das Mães, a história de Maria Isabel, de 86 anos, e de sua filha Luciane Csizmar de Oliveira Mariano, de 49, mostra como o tratamento com cannabis medicinal impactou a vida da família em Alfenas, no Sul de Minas Gerais.

Há quatro anos, Maria Isabel começou a usar medicamentos à base de cannabis para auxiliar no tratamento da demência. De acordo com a família, a mudança foi significativa tanto para a paciente quanto para os familiares que lidavam com os desafios da doença. “Cannabis é vida, paz, amor e harmonia familiar. Cannabis é simplesmente voltar a viver”, resume Luciane, que trabalha como gestora de obras.

Antes do tratamento, a idosa tomava cerca de 14 medicamentos diferentes para controlar sintomas como alterações de humor, agressividade e episódios severos de desorientação. Situações simples do dia a dia, como sair de casa ou frequentar novos ambientes, costumavam provocar crises intensas.

O primeiro contato com a possibilidade do tratamento ocorreu de maneira inesperada, durante uma conversa em um salão de beleza. A partir daí, Luciane buscou acompanhamento especializado em Varginha e decidiu iniciar o tratamento da mãe.

Melhora Gradativa

Luciane relata que a melhora foi percebida de forma gradativa. Maria Isabel voltou a participar das conversas, a mostrar interesse pelos encontros familiares e a interagir novamente com o marido e os seis netos. “Hoje temos qualidade de vida. Não apenas para ela, mas para todos nós. Antes, não conseguíamos sair de casa. Hoje conseguimos ir a restaurantes, festas, passeios e até viajamos para a praia”, afirma.

A família enfrentou receios e preconceitos no início do processo. Luciane lembra que havia medo dos potenciais efeitos do medicamento. “No começo, pensamos: ‘Será que ela vai ficar dopada?’. Mas aconteceu justamente o contrário. Dopada ela estava antes, com tantos medicamentos convencionais”, diz.

Cannabis Medicinal e Redução da Polimedicação

A médica Mariana Maciel, fundadora da Thronus Medical, explica que a redução da polimedicação é um dos principais benefícios observados em pacientes neurológicos e idosos. “É comum encontrarmos pacientes com demência utilizando múltiplos medicamentos simultaneamente para controlar sintomas comportamentais, ansiedade, insônia e agitação. Em muitos casos, isso aumenta o risco de sedação excessiva, quedas e perda de autonomia”, explica.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 55 milhões de pessoas vivem atualmente com demência no mundo, com cerca de 10 milhões de novos casos registrados anualmente. A médica afirma que estudos recentes têm investigado o potencial dos canabinoides no controle de sintomas comportamentais relacionados a doenças neurodegenerativas, como alterações de humor, distúrbios do sono, agressividade e agitação.

Para Mariana, o avanço da informação sobre a cannabis medicinal ajuda a reduzir o preconceito em torno do tratamento. “Quando conseguimos devolver conforto, participação social, convivência familiar e dignidade, falamos de saúde em seu sentido mais amplo. Muitas vezes, o maior resultado não aparece em um exame, mas no momento em que uma família consegue voltar a viver junta”, conclui.

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