Um projeto desenvolvido pela Prefeitura de Barão de Cocais pretende reduzir significativamente o tráfego de caminhões na cidade, a partir da reorganização da logística de transporte de minério. A proposta, revelada em entrevista ao jornal Estado de Minas, aposta no uso de terminais ferroviários já existentes para diminuir a circulação de carretas nas áreas urbanas.
A iniciativa surge em resposta às constantes reclamações de moradores, que relatam impactos diretos do aumento da atividade mineradora nos últimos anos. Embora reconheçam a importância econômica do setor, a população aponta prejuízos à qualidade de vida, principalmente devido ao intenso fluxo de caminhões, poeira, ruídos e riscos no trânsito.
Moradores de bairros como Castro, Dois Irmãos e Garcia convivem diariamente com carretas cruzando vias urbanas. Relatos indicam dificuldades de locomoção e até problemas de saúde associados à poluição e ao barulho. Em alguns casos, famílias têm buscado alternativas temporárias para fugir desses impactos.
Diante desse cenário, o município propõe uma mudança na lógica do escoamento mineral. Como a cidade é cortada pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, a ideia é utilizar quatro terminais ferroviários já disponíveis para redistribuir o transporte da produção, evitando que caminhões precisem atravessar toda a cidade.
Segundo a gestão municipal, há casos em que o minério percorre longas distâncias por rodovias, mesmo existindo pontos ferroviários próximos às áreas de extração. A proposta visa corrigir essas distorções logísticas, tornando o transporte mais eficiente e menos impactante para a população.
Necessidade de Conciliar Desenvolvimento e Bem-Estar Urbano
O secretário municipal de Meio Ambiente, Leandro Aguiar Rabelo, destacou que o objetivo não é se posicionar contra a mineração, mas encontrar alternativas que conciliem desenvolvimento econômico e bem-estar urbano. O prefeito Geraldo Abade (PSD) reforçou que a cidade enfrenta a sobrecarga em serviços públicos devido ao crescimento acelerado da atividade, incluindo impactos nas áreas de saúde, educação e segurança.
O prefeito também afirma que a mudança não deve gerar perda de empregos para caminhoneiros, mas sim uma readequação das funções, com possibilidade de atuação dentro das próprias operações minerárias. Paralelamente, medidas paliativas vêm sendo adotadas, como restrições de horário para circulação de caminhões, melhorias em infraestrutura e exigências operacionais para reduzir sujeira e impactos no trânsito.
Projeto Depende de Negociação com Empresas do Setor
A proposta ainda depende de diálogo com empresas do setor, especialmente a Vale, que possui participação relevante na logística ferroviária da região. A expectativa da prefeitura é que, com o uso mais eficiente da malha ferroviária, seja possível reduzir de forma expressiva o tráfego pesado dentro da cidade, atendendo à demanda crescente da população por melhores condições de vida.























