Quinta, 26 de março de 2026

IBGE aponta aumento da violência sexual entre adolescentes no Brasil

IBGE aponta aumento da violência sexual entre adolescentes no Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma pesquisa recente do IBGE revelou que um em cada quatro estudantes adolescentes no Brasil já enfrentou alguma situação de violência sexual, que inclui toques, beijos ou exposição de partes íntimas sem o devido consentimento.

O dado alarmante faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25), que entrevistou 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos, frequentando 4.167 escolas públicas e privadas pelo país.

Comparando com o ano de 2019, houve um aumento de 5,9% nas denúncias entre as meninas entrevistadas. Além disso, 11,7% das adolescentes relataram ter sido forçadas ou intimidadas a se submeterem a relações sexuais, um crescimento de 2,9% em relação à última pesquisa.

A pesquisa mostrou que, apesar de as meninas formarem a maioria das vítimas de violência, 2,2 milhões de estudantes de ambos os gêneros relataram casos de assédio e 1,1 milhão de relações forçadas. O IBGE dividiu as perguntas em categorias para facilitar a compreensão dos jovens durante as entrevistas.

“Esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, seja por aspectos sociais e culturais.”

Outro ponto destacado foi a faixa etária das vítimas: enquanto adolescentes mais velhos, de 16 a 17 anos, mais frequentemente relataram assédio, a maior parte dos que sofreram relações forçadas tinham 13 anos ou menos.

A violência sexual se mostrou mais prevalente entre os estudantes de escolas públicas, com 9,3% relatando intimidação ou coerção, em comparação a 5,7%% da rede privada.

Quem são os agressores?

Os alunos também foram questionados sobre quem eram os responsáveis pelas violências, e a maioria revelou que as agressões foram cometidas por pessoas próximas:

  • 8,9% por pais ou padrastos;
  • 26,6% por outros familiares;
  • 22,6% por namorados ou ex-namorados;
  • 16,2% por amigos.

Nos casos de toques não consensuais, a categoria mais mencionada foi “outro conhecido” (24,6%), seguidos por familiares e desconhecidos.

Gravidez precoce

A pesquisa ainda revelou que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram uma vez, representando 7,3%% das que iniciaram sua vida sexual, concentradas principalmente em escolas da rede pública.

Alguns estados apresentam índices alarmantes de gravidez precoce, como Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, onde ultrapassa 10% entre as estudantes.

O uso de preservativos na primeira relação foi de apenas 61,7% e caiu para 57,2% na última relação, ressaltando a preocupação com a saúde sexual dos adolescentes. Entre os que optaram por contraceptivos, 51,1%% utilizam a pílula anticoncepcional e 11,7%% a pílula do dia seguinte.

Comparado com a pesquisa anterior, o dado de 2024 mostra uma queda no número de adolescentes que iniciaram a vida sexual, com 30,4%% já tendo tido relações, cinco pontos percentuais a menos desde 2019.

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