Domingo, 24 de maio de 2026

Segurança pública protesta na ALMG por reajuste e denuncia silêncio do governo

Segurança pública protesta na ALMG por reajuste e denuncia silêncio do governo
Foto: MARCELO SANTANNA

A mobilização das forças de segurança pública dominou a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (24), revelando um cenário crítico para os serviços essenciais no estado. A audiência pública, inicialmente prevista para discutir as perdas inflacionárias da categoria, virou um ato de pressão contra o governo Mateus Simões (PSD), que mais uma vez optou por não se confrontar diretamente com os servidores.

Os sindicatos apresentaram dados indicando uma defasagem salarial de 52,33% entre 2015 e 2025, destacando como a correção do poder de compra afeta não apenas policiais, mas também bombeiros, agentes socioeducativos e pensionistas. Os deputados Sargento Rodrigues (PL) e Cristiano Caporezzo (PL), que foram os autores do requerimento da audiência, se uniram aos manifestantes na exigência de uma recomposição imediata.

A ausência do governo implica revolta

No início do evento, a atmosfera ficou tensa, uma vez que o governador e a secretária de Planejamento, Sílvia Listgarten, não compareceram, gerando vaias e críticas fortes dos servidores, que se sentiram negligenciados. Parlamentares caracterizaram a postura do Executivo como “desrespeitosa” e “evasiva”. Sargento Rodrigues (PL) destacou que a falta de divulgação, em janeiro, do índice de revisão das remunerações descumpre a legislação, prejudicando o diálogo sobre a recomposição.

“O governo conhece a lei, mas escolhe ignorá-la. Hoje, pedimos respeito e transparência”, enfatizou Rodrigues.

Cristiano Caporezzo (PL) acrescentou que, em um momento de aumento no custo de vida, os salários da classe permanecem congelados, levando muitos servidores a se endividarem para cobrir despesas básicas.

Pressão unificada em um momento crítico

A audiência ocorre em um contexto de desgaste acelerado para o governo Simões, enfrentando greve na saúde e paralisações na educação. Assim, a segurança pública se junta a esta pressão, revelando a potencial combinação mais explosiva da história recente de Minas, com três pilares essenciais do serviço público demandando valorização simultaneamente.

Os representantes da segurança afirmaram que não descartam intensificar as mobilizações caso o governo permaneça inerte. Líderes alertaram que “o estado caminha para um caos institucional” se respostas imediatas não forem apresentadas.

Resultados da audiência: pressão sobre o governo aumenta

Ao final da reunião, os parlamentares decidiram aprovar três diretrizes para aumentar a pressão sobre o governo:

  • Exigir a apresentação, em até 10 dias, do índice oficial de recomposição inflacionária referente a 2022–2025, com urgência.
  • Criar um grupo de trabalho permanente para tratar semanalmente da negociação entre o governo e entidades de segurança, evitando tentativas de protelação.
  • Produzir um relatório técnico consolidado sobre a defasagem salarial, que embasará um novo requerimento formal de reajuste, podendo dar origem a ações judiciais se a postura do governo não mudar.

Porém, apesar das deliberações, a audiência concluiu sem qualquer compromisso do Executivo, mantendose o impasse.

Governo atribui limites fiscais, mas entidades contestam

Ainda que ausente, o governo divulgou uma nota técnica alegando que o Regime de Recuperação Fiscal impõe limitações aos reajustes. No entanto, os sindicatos contestaram essa justificativa, afirmando que a receita estadual está crescendo acima da inflação, indicando que falta prioridade política, e não orçamento.

Tensão crescente e greve unificada como possibilidade

A audiência destacou um desgaste profundo enfrentado pelo governo, com profissionais da saúde e educação ainda mobilizados, e a segurança pública se somando à disputa por valorização. Além disso, a falta de presença do governador foi vista como um sinal de que o Executivo não está disposto a negociar em curto prazo.

Os sindicatos falam inclusive sobre a possibilidade de unir as três categorias em protestos conjuntos. Se avançarem com essa estratégia, Minas poderá vivenciar uma das maiores paralisações nos últimos anos — resultado direto de um governo que não apresentou respostas concretas até o momento.

+ Trabalhadores ocupam sedes regionais da educação e pressionam por revisão do reajuste salarial em Minas

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