Domingo, 26 de julho de 2026

Siderurgia em Monlevade: Impasse com Sindmon-Metal e propostas rejeitadas

O conflito entre o sindicato dos metalúrgicos e a ArcelorMittal em Monlevade gera incertezas quanto à jornada de trabalho dos operários. As propostas do Sindicato foram rejeitadas pela empresa, mantendo os funcionários em uma rotina desgastante.

Siderurgia em Monlevade: Impasse com Sindmon-Metal e propostas rejeitadas
Arquivo JAN

O impasse entre o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) e a ArcelorMittal continua sem solução. Os operários da Usina de Monlevade permanecem em regime de turno fixo.

Nesta sexta-feira (20), o sindicato apresentou três contrapropostas temporárias para a jornada de trabalho. No entanto, a empresa informou que não aceitou os modelos sugeridos.

A divergência ocorre após o término da convenção coletiva que regulamentava as escalas de trabalho, encerrada em 28 de fevereiro. Sem um acordo, a empresa implantou, conforme a legislação, o turno fixo, com horários das 7h às 15h, das 15h às 23h e das 23h às 7h, sem revezamento.

A adoção desse modelo gerou insatisfação entre os trabalhadores, que relatam desgaste físico, mental e perdas salariais, especialmente aqueles que permanecem no turno diurno. Tentativas de diálogo foram feitas pela empresa, mas os trabalhadores preferem um modelo de turno de 12h a cada 4 dias de trabalho, seguido de 4 dias de folga, o que a empresa considera inviável em Monlevade.

Propostas do sindicato

Diante do impasse, o Sindmon-Metal não convocou nova assembleia e apresentou três alternativas com duração de 60 dias:

  • Jornada de 12 horas com quatro dias seguidos de trabalho e quatro dias de folga.
  • Modelo de quatro letras e oito subletras, usado anteriormente.
  • Um sistema semelhante ao utilizado na Mina do Andrade, também da ArcelorMittal, com turno de 12 horas.

O sindicato afirma que esses modelos têm respaldo na prática, inclusive na própria empresa, indicando viabilidade operacional. Em boletim divulgado nas redes sociais, a entidade afirmou que busca uma transição equilibrada para os trabalhadores até que uma solução definitiva seja alcançada.

Além disso, o Sindmon-Metal destacou que qualquer avanço nas negociações será submetido à deliberação dos trabalhadores, assegurando a participação direta na decisão.

Proposta da empresa

Antes das contrapropostas, a ArcelorMittal havia sugerido retornar temporariamente ao modelo 6-3-3, por 60 dias, enquanto uma consultoria avaliava alternativas para um modelo definitivo. No entanto, a empresa alega que essa proposta não foi apresentada ao sindicato para apreciação pelos trabalhadores.

Em nota, a Usina de Monlevade afirmou que não aceita nenhuma proposta que envolva jornada de 12 horas, posição já comunicada ao sindicato e aos empregados. Quanto ao modelo de quatro letras e oito subletras, a alegação é de que sua implementação requereria a contratação de mais de 180 novos funcionários, o que é considerado inviável no atual cenário da siderurgia.

A empresa admite que o turno fixo não é o ideal, especialmente devido aos impactos na remuneração, mas mantém esse formato pela falta de um acordo coletivo que regulamente o revezamento.

Expectativa

Com as contrapropostas formalizadas e a rejeição já manifestada pela empresa, a expectativa recai sobre novos desdobramentos nas negociações. Enquanto não há consenso, os trabalhadores seguem em turno fixo, e o impasse permanece sem previsão de resolução. O Sindmon-Metal agendou uma conversa com os trabalhadores de turno de revezamento para segunda-feira (23).

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