Terça, 21 de julho de 2026

Conteúdo violento nas redes sociais gera discussão sobre misoginia e feminicídio

Uma nova trend nas redes sociais que finge a violência contra mulheres tem gerado discussões e reações ligadas à misoginia e ao seu impacto social no Brasil.

Conteúdo violento nas redes sociais gera discussão sobre misoginia e feminicídio
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Recentemente, uma onda de vídeos virais nas redes sociais tem despertado polêmica, com homens simulando agressões contra mulheres em resposta a rejeições. Este fenômeno surge em um momento em que o debate sobre o aumento da violência contra mulheres no Brasil intensifica-se.

Nas redes sociais, a situação gerou reações variadas. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) se manifestou por meio de um vídeo, denotando a gravidade do tema e denunciando o caso ao Ministério Público.

“Como as redes não são regulamentadas no Brasil, eles chamam isso de liberdade. Ou vão chamar de brincadeira. Um absurdo, por isso eu acionei o Ministério Público para investigar esses perfis e outros que estão cometendo esse crime de incitar o ódio contra as mulheres”, afirmou a parlamentar.

Duda ainda enfatiza a necessidade de regulamentação das redes sociais e defende um projeto de lei que visa tipificar como crime a misoginia coletiva e coordenada online.

A advogada criminalista Pamela Villar alerta que essas publicações podem ser consideradas crimes. “Se uma pessoa agredir uma mulher pela recusa em se relacionar, ambos podem responder criminalmente por lesão corporal. E se mais pessoas reproduzirem esse ato, o responsável pelo vídeo poderá ser processado separadamente por cada delito, com penas severas”, explicou.

A palavra misoginia refere-se ao ódio direcionado às mulheres e tem ganhado destaque em grupos conhecidos como machosfera, que abrigam comunidades online que disseminam discursos de ódio e comportamentos agressivos.

Entre esses grupos, destacam-se os red pills, que alegam que os homens estão sendo oprimidos por mulheres e pela sociedade moderna, e os incels (celibatários involuntários), que culpam as mulheres e a sociedade pela sua falta de relacionamentos.

Com a propagação da misoginia, entidades da sociedade civil pressionam por uma tipificação criminal mais rigorosa. Em outubro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado já havia aprovado um projeto de lei que prevê pena de 2 a 5 anos de prisão por tais crimes.

Entretanto, a responsabilização das redes sociais continua sendo um desafio. Atualmente, somente vídeos relacionados a crimes sexuais devem ser removidos imediatamente após notificação da vítima, e mesmo nestes casos, a advogada Pamela Villar ressalta que a responsabilização é rara.

“Do ponto de vista criminal, ainda existe uma possibilidade remota de responsabilização dos responsáveis legais pela falta de ação diante do que deve ser feito, embora concretamente isso seja muito difícil de ocorrer.”

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o Brasil registra quatro feminicídios diariamente, totalizando 1.547 em 2025, com um crescimento constante desde 2015. Apenas em janeiro deste ano, 131 mulheres sofreram feminicídio, aumento de quase 5% em relação ao ano anterior, além de 5.200 casos de abuso sexual, cerca de 168 por dia.

Casos de violência contra mulheres devem ser denunciados pelo Ligue 180.

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